Atualidades

Início de uma NOVA ERA nesse país de conto de fadas (ou de bruxas)?

Será que vamos ter condições de entrar no terceiro milênio? Essa manchete do jornal O Globo do dia 29 de agosto me deu novas esperanças. Será que vamos conseguir sair dessa era que nega o evidente: temos recursos naturais limitados e estamos extrapolando os limites planetários escandalosamente, além de aumentar perigosamente o abismo social em que vivemos.

O pré-sal é um sintoma de uma fixação em uma era de “crescimento a qualquer custo” que precisa acabar.

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A maioria das pessoas não tem ou não quer ter um mínimo de consciência do que estamos fazendo contra nós mesmos, contra nossos descendentes e a rede da vida que nos sustenta. É mais fácil viver na “zona de conforto”.

Temos problemas ecológicos severos: MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM AÇÃO!

O PICO DO PETRÓLEO MUNDIAL passou – provavelmente em 2010. Agora só restam reservas de difícil acesso, com alto custo de extração e elevadíssimos riscos ambientais. Par que? Para que seja usado para queimar e esquentar ainda mais o nosso planeta. O petróleo tem usos mais nobres, e para isso deveria ser reservado.

Explorar gás de xisto, investir em termoelétricas, incentivar venda de carros e transportes sobre rodas são mais insanidades que estão sendo cometidas e que deveriam ser consideradas crimes contra a humanidade.

Será que ainda acreditam que “deus” vai ajudar e mandar chuvas no lugar certo para encher os reservatórios de águas que geram a nossa energia “limpa”, e ainda abastecer de água a população? Estamos ficando sem água para beber e viver. Quando vamos valorizar as nossas águas?

A expansão das cidades sem embasamento científico sobre os processos e fluxos que ocorrem em sua paisagem é mais um sintoma desse delírio, ou seria ignorância consciente. A escolha de continuar fazendo mais do mesmo, e fingir que está tudo melhorando. Será que os nossos tomadores de decisões acreditam que somos todos idiotas e acreditamos em contos de fadas? Na cidade e no país do “Era uma vez…”?

Temos oportunidade de mudar de paradigma e de cobrar novos rumos em nossas cidades, e em nosso país. Participar do que está acontecendo e valorizar o voto que será dado em outubro.

As primeiras coisas que precisamos são de ética e de valorização do que mantém a vida: a NATUREZA. Sem essa combinação não tem social, não tem econômico, nem cultural nem coisa nenhuma. Não adianta ficar revoltado, e sim procurar transformar a indignação em ação positiva.

Cecilia P. Herzog

2 de setembro de 2014

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Ontem, dia 26 de junho, participei de uma mesa redonda interessantíssima promovida pela ANP – Associação Nacional de Paisagismo realizada no Museu da Casa Brasileira em São Paulo. O tema foi INFRAESTRUTURA VERDE URBANA –  Soluções inteligentes de infraestrutura verde urbana para os grandes problemas enfrentados pelas cidades brasileiras. A mesa foi composta pelo João Jadão – presidente da ANP, Eliana Azevedo – vice-presidente da ANP e presidente da comissão para a regulamentação da profissão de PAISAGISTA no Brasil, o Deputado Federal Ricardo Izar e os paisagistas Julio Pastore, Raul Cânovas e Gilberto Elkis. A plateia estava cheia de gente ávida por novas ideias, conhecimentos e relacionamentos. Foi uma noite ultra produtiva.

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Fiz uma palestra objetivando a reflexão de nossa trajetória – enquanto humanidade e civilização até chegar aos dias de hoje. Trouxe o que tenho pesquisado no mundo todo, em todos os grupos de pesquisa que faço parte, e muitas visitas que tenho feito nos últimos anos em busca das soluções adotadas em planos e projetos em todas as escalas. A comparação inevitável entre o que está sendo feito em diversas cidades de todos os continentes e o que está sendo feito por aqui levantou acalorados debates entre os participantes, tanto da mesa quanto da plateia. Parece que o Brasil está fora do planeta Terra. Aqui ainda estamos na era da energia suja, dos carros, da canalização de rios e córregos, da expansão urbana sobre áreas sujeitas a inundações e deslizamentos, transformando as nossas paisagens de forma totalmente inconsequente e irresponsável. Estamos nesse paradigma de um desenvolvimento insustentável a qualquer custo. E esse custo é altíssimo! Até quando?

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Na verdade, nessas palestras ao apresentar os tremendos desafios que temos nessa segunda década do século XXI, fico feliz em ver as reações indignadas e que nos levam a agir. Foi exatamente o que aconteceu ontem. Profissionais da área de paisagismo, arquitetura, biologia, cidadãos e ativistas se apoderaram e se colocaram positivamente. O consenso final foi que iremos trabalhar em um manual de boas práticas para nossas cidades. Será um processo aberto, participativo e coordenado pela ANP e seus associados e colaboradores.

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Parabéns a todos os que estiveram presentes e que deram esse pontapé inicial em um processo colaborativo, que tenho certeza será produtivo e irá contribuir para tornar nossas cidades, bairros, ruas e moradias melhores, mais saudáveis com mais relação com a natureza e a cultura dos lugares onde estão inseridas.

(Fotos cedidas pela ANP)

Publicado em 27.06.2014

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DECISÕES DOS NOSSOS GOVERNANTES

Não querendo deixar ninguém nervoso à toa, mas quando será que nossos governantes irão assumir que os impactos das mudanças climáticas já estão ocorrendo e atingindo muita gente mesmo? Os EUA oficialmente lançaram um relatório mostrando o que está acontecendo e como o país está sendo impactado e como irão piorar no futuro. As áreas costeiras são mais vulneráveis ainda, pela elevação do nível do mar e por abrigar a maior parte das pessoas. Confira o relatório que foi matéria do New York Times recentemente. O Rio de Janeiro como outras áreas costeiras brasileiras também deverão ficar sob as águas em um curto espaço de tempo!

QUANDO AS PESSOAS VÃO ACORDAR DESSE “SONHO” ECONÔMICO? NA VERDADE É UM PESADELO ANUNCIADO QUE ESTÁ SE TORNANDO REALIDADE. 

http://nca2014.globalchange.gov/report/regions/coasts#intro-section

Aí vai o mapa de áreas baixas vulneráveis à elevação do nível do mar na cidade do Rio de Janeiro publicado no livro do IPP “Rio Próximos 100 anos”. Reparem que os investimentos pesados que estão sendo feitos destinados às Olímpiadas e ao “legado” e os empreendimentos imobiliários ficam nas áreas mais vermelhas – quer dizer sujeitas a ficar embaixo d’água em breve.

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Isso deveria ser considerado crime contra as pessoas que compram imóveis em lugares absolutamente vulneráveis, e contra nós todos que pagamos impostos para ser gastos em infraestruturas que também deverão ser fortemente impactadas pelos eventos climáticos e outros associados às mudanças climáticas.

Publicado em 28.05.2014

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Ainda bem que ainda temos cabeças lúcidas e que se colocam contra as barbaridades que acontecem em nosso país, em nossas cidades e na cabeça de quem decide nosso cotidiano e nosso futuro. Cristovam Buarque é um deles. No sábado dia 19 de abril publicou mais um artigo na página de Opinião do O Globo. Confira o texto abaixo:

Avestruz suicida

Cristovam Buarque

Vem desde os gregos a ideia de que o homem é um animal político. Os outros animais se movem por instinto, os homens pela conversa. Cada vez que três pessoas tentam decidir algo fazem política. Mas, olhando para os brasileiros de hoje, pode-se dizer que o político é um animal parecido ao avestruz. A exemplo desta ave há uma preferência por esconder a cabeça para não ver os problemas ao redor.

Nesse momento, o animal político brasileiro debate sobre fazer ou não uma CPI para apurar os desmandos na Petrobras. Os que não querem a CPI escondem as cabeças para não descobrir o que está acontecendo; os que desejam descobrir o que está ocorrendo na Petrobrás, não percebem o problema maior da crise energética que enfrentamos.

Diante da grave crise energética que se abaterá sobre o mundo inteiro, nas próximas décadas, os políticos se comportam como avestruz. Não despertam para os limites da disponibilidade de petróleo que se esgotará, esgotando também a Petrobras, qualquer que seja a competência e honestidade de sua direção depois de uma CPI séria. Nem despertam para o enorme potencial que temos para gerar energia a partir de novas fontes, tal como a energia solar, e ainda a relegada e criativa experiência do etanol.

O animal político brasileiro se comporta como um avestruz para não ver a gravidade da violência espalhada, profunda e destruidora sobre todo o tecido social brasileiro. Não percebe que vivemos um tempo de guerra, com mais de 50 mil mortos por ano, vítimas de assassinatos. Com a cabeça escondida, deixamos de ver a violência e o medo generalizado nas ruas de nossas cidades.

Escondemos a cabeça para não identificar e entender as causas da guerrilha de grupos organizados por meio de celulares e de computadores para queimar ônibus, impedir o trânsito, paralisar serviços. E tal como avestruz, decidimos enfrentar parte dessa guerra espalhada envolvendo localmente as Forças Armadas; não ver os riscos de soldados serem mortos por traficantes dentro do território nacional ou de soldados matarem acidentalmente crianças no meio de tiroteio. O que em guerra se chama de efeito colateral, dentro do território nacional será chamado de assassinato.

Não vemos os riscos de nossas cidades degradadas, da economia baseada em produtos primários, enquanto os outros países investem em produtos de alta tecnologia.

O avestruz prefere não ver o triste futuro de um país que não cuida de suas crianças, abandonando-as e jogando-as em escolas sem aulas, sem equipamentos, sem professores e sem avaliação, onde não conseguem concluir o ensino fundamental. Só um avestruz não vê o triste futuro do Brasil retratado na cara de suas escolas de hoje.

Também é comportamento de avestruz não perceber a falta de credibilidade nos políticos, vistos como um tipo especial de avestruz que, além de esconder a cabeça, enfia as mãos no chão para trocar favores com recursos públicos.

Continuar agindo dessa forma é o comportamento de um avestruz suicida.”

Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?blogadmin=true&cod_post=533126&ch=n

Publicado em 21.04.2014

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Gente – acorda ! e participa !!

Ontem, dia 8 de abril, dando aula de Planejamento Urbano II no mestrado de Engenharia Urbano Ambiental, falei sobre a nossa situação crítica em todas as escalas. Os alunos, como sempre acontece, ficaram assustadíssimos. Claro, e não é pra menos.

As pessoas estão vivendo como se nada estivesse acontecendo, a não ser quando é no seu próprio quintal ou afeta seu umbigo. Mas, na verdade a coisa está preta. Temos crises sistêmicas em todas as escalas, que assim deveriam ser tratadas.

O que estamos vivendo é apenas um aperitivo do que vem pela frente, se não houver uma mudança radical de comportamento. Para isso, acredito que cada um tem uma parcela a colaborar. Hoje assisti dois vídeo de cientistas que fazem parte do IPCC. Achei muito didáticos, e passam de maneira fácil o tamanho dos desafios que temos que enfrentar.

Espero que possa ajudar na reflexão de como cada um de nós pode participar de forma proativa nesse momento de mudanças que podem levar a um mundo insustentável para a vida que conhecemos hoje. Não dá pra ficar tomando champanhe como se estivesse no Titanic antes dele afundar.

O irônico é ver o nosso alcaide ser o presidente do C40. Ele promove intervenções sem planejamento sistêmico, que não consideram nem  os próprios estudos gerados pelo nossos cientistas sobre a cidade e região metropolitana do Rio de Janeiro. Está tudo no Rio Próximos 100 anos e no Relatório de Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas do Região Metropolitana do Rio de Janeiro – que deveria estar disponível on-line para que todos tomassem consciência das barbaridades que estão sendo feitas em áreas sujeitas à elevação do nível do mar e sendo vendidas a preços impressionantes. Além de erradicar ecossistemas que poderiam contribuir na adaptação da cidades às mudanças climáticas.

O MARKETING atual é totalmente insustentável! Na Revista do Globo do último domingo tem uma matéria com os cariocas debandando da cidade. Esse negócio de cidade-empresa é bom pra quem??? Como está A SUA VIDA NESSA “Cidade Maravilhosa”? Pense nisso com profundidade.

Gente – acorda !

Sai da ZONA DE CONFORTO IMEDIATA POIS ELA NÃO IRÁ DURAR MUITO! e participa !!

Aí vão os vídeos:

Mudanças Climáticas: Tudo o que você precisa saber sobre o relatório do IPCC

Mudanças Climáticas: por que o clima está diferente? 

Publicado em 09.04.2014

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Participo do Grupo de Pesquisa “Urban Climate Change Research Network – UCCRN” que está trabalhando na segunda Avaliação das Cidades e Mudanças Climáticas (Assessment on Climate Change and Cities – ARC3-2) coordenado por Cynthia Rosenzweig da Columbia University. Sou co-líder do capítulo Urban Ecology, Biodiversity and Ecosystem Services.
A Cynthia escreveu um dos prefácios do meu livro Cidades para TODOS: (re)aprendendo a conviver com a NATUREZA.
Assista o vídeo que tem algumas tomadas durante o workshop do qual participei em setembro passado em Nova York. A avaliação reúne 100 pesquisadores do mundo todo.

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Desejo que 2014 seja um ano melhor para TODAS AS PESSOAS em HARMONIA COM A NATUREZA. Que tenhamos cidades mais verdes – com muitas árvores, vegetação nativa  e hortas comunitárias – para cidades mais saudáveis, sustentáveis e resilientes. Q…ue as pessoas possam se locomover com sua própria energia, e que os transportes públicos melhorem em nossas cidades. Que as chuvas mantenha a fonte da vida – a biodiversidade – ofereçam alivio do calor, e não nos apavorem com mais enchentes e deslizamentos. Que as águas urbanas sejam mais limpas e captadas próximo de onde moramos. Que TODOS tenham direito à cidade com alta qualidade de vida, em ambientes democráticos e socialmente justos.
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Pessoas e biodiversidade como a prioridade número UM

Há cinco anos a atual administração da cidade do Rio de Janeiro tomou posse, com um jovem prefeito dinâmico e empreendedor. Esperanças tomaram conta dos cidadãos cariocas. As coisas seriam diferentes: teriam uma cidade Maravilhosa de volta, cidade cheia de VIDA, cidade com prosperidade, cidade do século XXI.

O prefeito está terminando o primeiro ano de seu segundo mandato. O que temos assistido é a sistematização do marketing, da cidade como negócio, do crescimento pela ilusão de que as tecnologias irão resolver TODOS OS NOSSOS problemas. O descolamento da VIDA das pessoas e da biodiversidade é flagrante. Projetos antiquados, monofuncionais, meramente cosméticos eliminam ecossistemas e áreas de acomodação de águas. É possível constatar os impactos a cada chuva mais intensa, ou um em sobrevoo pela cidade que se expande inexoravelmente sobre áreas que deveriam ser conservadas.

Cidades de todo o mundo estão mudando de paradigma e encarando os imensos desafios que se apresentam nesse terceiro milênio, por meio de formas inovadoras. Buscam novas maneiras de planejar e projetar cidades inclusivas, em harmonia com a natureza e suas forças, valorizando a vida, educando seu corpo técnico, moradores e demais instituições para poder entrar em um paradigma de colaboração e convivência. Cidades estão buscando de que modo podem se adaptar, se preparar para os riscos causados pelas crises atuais: mudanças climáticas; falta de água potável e de alimentos; poluição generalizada do ar, das águas e dos solos; surtos de doenças não transmissíveis – obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer, depressão, estresse que ocorrem em pessoas cada vez mais jovens; escassez de recursos naturais – inclusive petróleo, entre outras. Os desastres climáticos estão ceifando vidas e causando prejuízos incalculáveis mundo afora. Esses custos financeiros acabam sendo pagos pelos cidadãos por meio de impostos.

Inúmeras cidades estão mudando para melhor. Exemplos vão de pequenas cidades europeias pioneiras, como Freiburgo, a megacidades como Seul, na Coréia do Sul. A supertempestade Sandy paralisou o coração financeiro mundial – Wall Street em Nova York. Foi uma catástrofe que trouxe a urgente questão em como tornar as cidades resilientes a eventos climáticos extremos à agenda do dia. No dia 4 de outubro de 2013, a sessão comemorativa do dia do Habitat na Organização das Nações Unidas – ONU –, teve a RESILIÊNCIA URBANA como tema central. Os estragos da tempestade Sandy e como evitar novos desastres foi o epicentro dos debates. Eu estava lá. Fui para o lançamento do livro Urbanização, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.[i] É uma verdadeira bíblia sobre o tema: como as cidades dependem e estão tratando da biodiversidade prioritariamente como forma de melhorar a qualidade de vida de todos e transformar cidades insustentáveis e vulneráveis. O livro foi promovido pelo CBD, UN Habitat, ICLEI, IUCN entre outras entidades internacionais de peso. A publicação é encabeçada por Dr. Thomas Elmqvist – do Centro de Resiliência de Estocolmo, Universidades de Estocolmo e Cornell, e conta com centenas de cientistas de primeira linha de todos os continentes. É o estado da arte em cidades, biodiversidade e pessoas. Escrevi o capítulo do Rio de Janeiro, juntamente com Dr. Ricardo Finotti, e fiz a apresentação de fechamento do lançamento do livro para uma audiência internacional.

A biodiversidade urbana e os serviços ecossistêmicos entraram definitivamente na agenda de planejamento, projetos, adaptação e mitigação dos impactos das cidades e nas cidades. O Rio de Janeiro está na contramão da história. Andamos para trás. Enquanto cidades buscam todas as formas de renaturalizar corpos d’água, reintroduzir biodiversidade, incentivar produção de alimentos orgânicos localmente, tratar de águas e esgotos de forma local, fechando os ciclos, a cidade do Rio de Janeiro faz exatamente o contrário. Está eliminando sistematicamente fragmentos de vegetação importantes, cometendo um verdadeiro biocídio, alterando as paisagens de forma insustentável. Está repetindo os erros do século XX, com incertezas e tremendos desafios do século XXI. IMG_3256-baixa

Vista aérea Baixada de Jacarepaguá em 4.12.2013. Área de restinga que era protegida legalmente, totalmente devastada  para dar lugar a um campo de golfe.

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Vista aproximada da área do golfe “Olímpico”. Aso fundos aterros sobre áreas alagáveis. Estão cometendo os mesmos erros do passado ao fazer intervenções insustentáveis, expandindo a cidade de forma rodoviarista.

É hora de mudar de rumo e encarar a VIDA de todos: pessoas e biodiversidade como a prioridade número UM. Cidades são feitas por pessoas, para pessoas que dependem da natureza para sobreviver.

Cecilia P. Herzog

10 de dezembro de 2013

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[i] O livro está disponível para baixar na internet. http://www.cbobook.org

Por que precisamos com urgência de profissionais formados em cursos superiores de Paisagismo no Brasil?

A formação em arquitetura da paisagem, profissão também conhecida como paisagismo, existe nos Estados Unidos desde o ano 1900, com a fundação do primeiro curso na Universidade de Harvard. Trata-se de uma formação específica que leva entre 4 e 6 anos na maioria das faculdades existentes em inúmeros países.

Nos EUA são mais de 60 cursos superiores em Paisagismo especificamente, independentes da arquitetura de edificações. Existem cursos de pós-graduação conhecidos como MLA – Master in Landscape Architecture (Mestre em Arquitetura da Paisagem) em inúmeras universidades americanas, que habilita profissionalmente em três anos bacharéis provenientes de diversas áreas do conhecimento para atuar na área de paisagismo, e em dois anos os formados em áreas relacionadas a projetos, incluindo arquitetos. Mas, não é só nos EUA. Na Europa, Ásia, África e América do Sul os cursos superiores em paisagismo formam profissionais habilitados a planejar, projetar, pesquisar e manejar paisagens de forma sustentável e resiliente. Atualmente, é imprescindível a contribuição desses profissionais com conhecimentos interdisciplinares para a construção e adaptação de áreas urbanas aos desafios desse terceiro milênio.

É urgente que o Brasil tenha profissionais realmente preparados para planejar e projetar nossas paisagens em todas as escalas. O paisagista passa por uma formação multidisciplinar que inclui áreas de conhecimento, como: ciências naturais e da Terra (geobiofísicas), ciências sociais, estudos culturais, história das paisagens urbanas e do paisagismo, artes e estética, planejamento e projeto da paisagem em múltiplas escalas – da regional à local.

Como exemplo de grade curricular, anexei a da Universidade de Washington em Seattle (Anexo 1).[1] É uma das faculdades mais arrojadas na formação de paisagistas que estão transformando as paisagens urbanas de espaços cinza monofuncionais, para cidades verdes de fato, com espaços multifuncionais onde as pessoas vivem em harmonia com a natureza. Planos e projetos que têm transformado cidades com a melhoria da qualidade de vida em Seattle e Portland, são referências na área.

Nossas cidades padecem de problemas estruturais que levam a recorrentes tragédias ocasionadas pela ocupação sem planejamento ecológico da paisagem e projetos que interferem nos processos e fluxos naturais. Um dos motivos é a falta de profissionais capacitados a analisar, avaliar, planejar e projetar paisagens urbanas e rurais com a integração necessária de aspectos sociais e ecológicos que a formação de paisagista oferece.

Nossos praças e parques não podem ser comparados com os que existem em países onde a formação de paisagista é uma realidade. É fácil constatar, basta pesquisar na internet e comparar a qualidade socioecológica de parques e praças, ruas e outros ambientes externos para verificar a debilidade de nossas áreas públicas.

Existem duas associações de classe que congregam os paisagistas de todo o mundo. A primeira é a Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas – IFLA[2]. Em seu sítio na internet está disponível a definição de arquiteto paisagista (se encontra abaixo traduzido para português – Anexo 2). A IFLA promove congressos internacionais anuais, reunindo profissionais, pesquisadores e estudantes de todo o mundo. Esse ano (2013) foi na Nova Zelândia.

A outra instituição é a americana ASLA[3] – Associação Americana de Arquitetos Paisagistas. É uma associação que reúne milhares de membros, organiza congressos anuais, regula a profissão, promove e incentiva o campo do paisagismo em seu país, oferece formação complementar, possui um ativo sítio na internet e uma revista eletrônica com artigos de grande relevância disponíveis a todos os interessados. Esse ano, em novembro, promove o congresso em Boston[4] com mais de 6.000 pessoas inscritas. É um evento de grande magnitude, que reúne profissionais, professores, pesquisadores e estudantes de todo o país. Além das apresentações, conta também com 21 cursos de formação complementar na área. Concomitantemente promove uma feira, que esse ano terá 385 expositores de indústrias relacionadas com produtos para espaços externos. Enfim, é um mundo de conhecimento e negócios voltado para a qualidade de vida nas cidades.

O paisagismo não é um braço da arquitetura. A formação do paisagista é diversa, como se pode ver nos programas curriculares de escolas superiores dos incontáveis países disponíveis na internet.

Precisamos entrar no século XXI e finalmente promover a formação em nível superior desses profissionais. As nossas paisagens precisam ser encaradas de forma séria para que possamos ter cidades com melhor qualidade de vida para todos. Temos a oportunidade com a tramitação do PL 2043/2011 na Câmara dos Deputados em Brasília.

Sou formada pelo curso superior em paisagismo criado e coordenado pelo renomado paisagista brasileiro Fernando M. Chacel. O curso foi inicialmente programado para ser dado em 4 anos, no entanto, devido a pressões externas foi condensado de forma intensiva, de modo que pudesse cumprir as metas de formação requeridas pelo seu criador. O que aprendi em apenas dois anos de formação tecnológica me possibilitou entrar em um campo de conhecimento com múltiplos desdobramentos nacionais e internacionais. Muitas vezes quando dou aulas e palestras, preciso explicar a pessoas interessadas (inclusive arquitetos formados) por que não têm acesso a esse conhecimento aqui no Brasil. Infelizmente, não tenho argumentos para explicar o inexplicável.

Gostaria que a ABAP, Associação de Arquitetos Paisagistas, apresentasse os argumentos pelos quais se opõe à criação de um curso superior que possibilita a formação adequada e completa na área da paisagem. A formalização da profissão poderia impulsionar o seu desenvolvimento enquanto associação representativa de uma classe profissional da maior relevância no contexto mundial atual. Poderia agregar e incentivar planos e projetos sustentáveis para contribuir na mitigação de impactos e na adaptação de espaços urbanos às urgências do presente.

Cecilia Polacow Herzog

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2013

Anexo 1

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Anexo 2

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Luzinha no fim do túnel para o Rio de Janeiro

Essa semana fiquei super animada: fui a dois eventos de extrema importância e significado para que o Rio de Janeiro comece de fato a ser uma cidade melhor para TODOS. Na segunda, dia 12 de agosto, fui a um seminário sobre agricultura urbana organizado pelo Conselho de Segurança Alimentar – CONSEA: Sistemas Alimentares Sustentáveis. O evento reuniu pessoas de diversas áreas de atuação, desde agricultores a chefs de cozinha focados em comida saudável e local – conhecidos como Ecochefs. As apresentações foram gravadas, passaram ao vivo na internet e devem ser disponibilizadas em breve. Aviso quando acontecer, pois vale assistir. O seminário lotou e ficou com fila de espera. É um sinal maravilhoso: os cariocas estão se conscientizando da importância da produção de alimentos localmente, em todos os ambientes urbanos. Não é apenas por segurança alimentar – quantidade e qualidade -, mas também porque reconecta as pessoas com a natureza. Oferece a oportunidade de moradores verem e trocarem experiências quando plantam e visitam os cultivos.

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Figura 1: Sala cheia no Centro Hélio Oiticica

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Figura 2: Mesa da manhã composta (da esquerda para a direita) por Francisco Caldeira de Souza (Agrovargem/Rede Carioca de Agricultura), Marcio Mattos de Mendonça (AS-PTA), Jurema Baptista (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social/Subsecretária de Inclusão Produtiva e Segurança Alimentar), Miriam Langenbach (Idealizadora da Rede Ecológica) e Teresa Corção (Presidente do Instituto Maniva – Ecochefs, chefe do Restaurante Navegador e Diretora de Sustentabilidade do SindRio).

Ontem, terça-feira dia 13 de agosto, foi a vez da mesa redonda sobre o projeto Ciclo Rotas Centro, encabeçado pela Transporte Ativo (http://www.ta.org.br/) no Studio X da Praça Tiradentes. Trata-se de um trabalho participativo que desenvolveu um projeto cicloviário integrado com outros modais de transporte que serão implantados na área central da cidade. O trabalho começou a ser desenvolvido em 2012, com uma metodologia séria de pesquisa de usuários e frequentadores das áreas, com medições de campo. Foi oficialmente apresentado ao público em julho passado. A ótima notícia que deram ontem foi que será implantado!

O Arlindo que é programador web apresentou o programa que desenvolveu para a Transporte Ativo, que está mapeando as rotas e os serviços de forma interativa < http://www.ta.org.br/ciclorio/>. O ciclista pode enviar o que achar interessante e contribuir para que essa rede de ciclistas aumente e melhore os serviços na cidade. Já está sendo aplicada em outras cidades, como em Belo Horizonte.

A Michele apresentou um aplicativo que está desenvolvendo para que o ciclista possa marcar suas rotas, com os serviços disponíveis no caminho. Pretende ser uma ferramenta tanto para o  usuário, como para que os responsáveis pelo planejamento, projeto e tomada de decisões conheçam o que é preciso ser feito. No momento está em busca de micro patrocinadores no crowd funding <http://benfeitoria.com/itinere>.

A Marcela apresentou o seu trabalho de conclusão de curso de arquitetura na PUC-Rio que propõe uma rede cicloviária e de serviços para uma área da zona norte do Rio de Janeiro. Parabéns pelo trabalho!

Há uma luz no fim do túnel. Será que esses movimentos positivos serão impulsionados pelos movimentos das ruas? Tomara! Precisamos de força para podermos mudar o rumo dos investimentos para uma cidade para TODOS em harmonia com a NATUREZA!

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Figura 3: Exposição do Ciclo Rotas no Studio X

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Figura 4: Zé Lobo (Presidente da Transporte Ativo), Arlindo, Michele e Marcela.

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Figura 5: Auditório lotado e com muito papo bom e produtivo depois das apresentações

Publicado em 14.08.2013

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Como está não dá!

fonte da imagem: http://estadaofotos.tumblr.com/image/53227984292

Acordamos?  O Brasil das ruas, das pessoas comuns que fazem o país, as cidades e que pagam TODAS as contas acordou! Está nas ruas nessa segunda-feira, dia 17 de junho. Mesmo com chuva, frio e com risco de reação da polícia (como foi na semana passada): o povo foi pra ruas, está nas janelas, na internet, participando de alguma forma.

Temos o poder e precisamos saber usa-lo. O recado que fica claro pra mim é: como está não dá! As pessoas não são bobas, fáceis de iludir pelo marketing que vende o que os marketeiros do momento decidem. Não basta poder comprar carros, eletrodomésticos e roupas da moda.

A oportunidade de mudar está em nossas mãos. Temos o poder. As cidades são das pessoas e para ter qualidade precisa ser focada em TODOS. Precisamos de cidades como existem em muitos outros países, com alta qualidade de vida. A cidade é complexa, com incontáveis fatores interagindo que determinam como as pessoas vivem e convivem. A mobilidade é básica, mas não é a única questão urgente que precisa ser solucionada de fato. É preciso ter uma visão sistêmica para tentar compreender e poder planejar e projetar cidades que sejam sustentáveis em todos os sentidos, não apenas com verniz verde.

As cidades precisam ser seguras em todos os sentidos. Sem tráfico de drogas dominando, mas também sem carros e ônibus dominando, travando a circulação, atropelando e matando. É preciso uma UPP da mobilidade limpa: espaços exclusivos, sombreados por árvores e bonitos para pedestres e ciclistas,  e transporte de massa de qualidade internacional. Precisamos ter comida sem agrotóxicos para não sermos envenenados a cada refeição. Precisamos de árvores que assegurem temperaturas amenas, contribuam para prevenir enchentes e deslizamentos. Precisamos de ruas, parques e praças com hortas e locais de convívio com muita biodiversidade e contato com os processos naturais.

Querer fazer a economia crescer baseada em incentivo à venda de carros, exploração de petróleo de alto risco, exportação de minérios e commodities (que nada mais são do que nossos ecossistemas destruídos e nossas águas transformadas em alimentos repletos de agrotóxicos – NÃO DÁ!). O país e as cidades precisam de uma nova economia focada no novo paradigma do século XXI, como energia limpa, geração de conhecimento, renaturalização dos corpos d’água, novas engenharias e novas abordagens  ecológicas que tragam bem-estar a TODOS em harmonia com a NATUREZA.

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O livro que escrevi “Cidades para TODOS: (re)aprendendo a conviver com a NATUREZA” será lançado em diversos eventos no Rio e São Paulo.

No Rio:

Dia 5 de junho: quarta-feira será na livraria Argumento do Leblon.

Dia 6 de junho: vou fazer uma palestra sobre o livro na Semana do Meio Ambiente da PUC-Rio, às 17:30 no auditório Padre Anchieta com direito a autógrafos. Confira no link: http://www.nima.puc-rio.br/index.php/pt/todas-as-notas/4082-palestra-professora-cecilia-p-Herzog

Dia 15 de junho: a palestra será no Jardim Botânico, às 10:30 da manhã.

Em São Paulo:

Dia 10 de junho na livraria da Vila da Al. Lorena, a partir das 18:30.

Confira os convites abaixo. O release está mais embaixo.

Você está convidado!

CIDADES PARA TODOS-CONVITE

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CIDADES PARA TODOS-CONVITE-SP

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Fruto de mais de 10 anos de estudos e pesquisas em vários continentes e inúmeras cidades, Cecilia Polacow Herzog lança Cidades para TODOS: (re)aprendendo a conviver com a NATUREZA – um livro que apresenta questões importantes para a compreensão dos imensos desafios que temos a enfrentar nessa segunda década do século XXI, com inúmeras alternativas que podem ser adotadas para regenerar nossas cidades. O livro é ricamente ilustrado, com imagens que contribuem para o entendimento e visualização dos temas e casos apresentados. Inicia com uma viagem no tempo – um sucinto histórico sobre o processo de desenvolvimento tecnológico e de exploração de recursos naturais e humanos que levaram às cidades atuais. A seguir Cecilia apresenta de forma simples e descomplicada conceitos contemporâneos fundamentais como: ecologia, pensamento sistêmico, resiliência, pegada ecológica, etc. Baseada em fundamentos científicos, faz reflexões sobre uma nova abordagem desses temas relacionados às cidades que precisam se tornar sustentáveis e resilientes, no contexto atual de incertezas e graves crises em escalas local, regional e planetária.

O livro apresenta a infraestrutura verde com exemplos de casos concretos internacionais e nacionais. Trata-se de uma abordagem para planejar, projetar e renovar áreas urbanas que (re)nasceu nos últimos anos ao mimetizar a natureza com foco nas pessoas, na biodiversidade, nas águas, no transporte limpo e no fechamento dos ciclos de energia e matéria. O objetivo é regenerar os ecossistemas urbanos de cidades industriais que cresceram centradas nos automóveis e na expansão imobiliária. Segundo Cecilia, “ao invés das técnicas monofuncionais fundamentadas na tentativa de controle dos processos e fluxos naturais, a infraestrutura verde tira partido da biodiversidade urbana e dos serviços ecossistêmicos que ela oferece”. O livro traz vários desses conceitos e técnicas que já estão sendo incorporados em planos e projetos de ecocidades e ecobairros, em incontáveis locais do planeta, com geração de empregos e impulsionando a economia verde.

“Cidades celestiais existem!”, afirma Cecilia, que nos leva por viagens ao redor do mundo, contando em detalhes como cidades (e até uma megacidade) se transformaram de locais poluídos, desagradáveis e doentes, em lugares com altíssima qualidade de vida. Mostra também, bairros planejados e projetados para todos, junto à natureza e aprendendo com ela.

O objetivo de “Cidades para TODOS” é conscientizar e motivar as pessoas que não apenas moram, mas fazem as cidades, para que possam participar ativamente de modo a transforma-las em lugares celestiais.

A autora nos estimula a trabalhar para construir lugares seguros, confortáveis e saudáveis, em contato direto e cotidiano com a natureza, com a participação de todos de forma democrática. “Precisamos de diversidade social, cultural, étnica e biológica para nosso próprio bem-estar”, afirma.

Para os profissionais, estudantes e pesquisadores de áreas relacionadas com o planejamento e projetos urbanos, os anexos oferecem sugestões de metodologias de trabalho, além de um glossário para melhor compreensão dos temas abordados e referências bibliográficas abrangentes e multidisciplanares.

“Em uma época repleta de incertezas, é extremamente importante refletir sobre os atuais modelos de desenvolvimento global tendo em vista as suas implicações na transformação dos ambientes naturais e urbanos. Essa reflexão ajudará, sem dúvida, a se estabelecerem novos parâmetros (…) para tornar as cidades efetivamente sustentáveis. (…) Nesse ponto se reconhece o esforço despendido por Cecília Herzog para compilar os seus estudos e pesquisas em um livro de conteúdo complexo, porém, de leitura fácil. (…) a obra irá interessar não apenas aos meios acadêmicos e profissionais, mas, sobretudo, ao leitor desejoso de compreender os meandros que configuram o ambiente urbano em que vivemos.”

Luiz Fernando Janot, arquiteto urbanista

“Cecilia Herzog apresenta uma visão para cidades ecológicas e oferece um detalhado caminho para conquistá-la. (…) Essa composição de uma nova ecologia urbana vai fortalecer não só a resiliência às mudanças climáticas, mas também a outras ameaças ambientais. (…) A natureza deve ter papel de liderança neste mundo de futuro cada vez mais urbano e de transformações climáticas.”

Cynthia Rosenzweig, cientista e pesquisadora da Nasa e da Universidade de Columbia, eleita uma das dez personalidades que fizeram diferença em 2012 (Top ten people who mattered in 2012) pela revista científica Nature

Os desafios da urbanização são profundos, mas as oportunidades também. Isso é bem descrito em Cidades para todos – (re)aprendendo a conviver com a natureza. (…) Este livro é um novo e valioso instrumento para conduzir o desenvolvimento urbano a um caminho sustentável. Espero que você leia, divida, e, junto com outras pessoas, passem a agir para ajudar a salvar a vida e melhorar o bem-estar humano.

Thomas Elmqvist, professor da Universidade de Estocolmo e líder do grupo de pesquisa em sistemas socioecológicos urbanos e globalização do Centro de Resiliência de Estocolmo; editor associado das revistas científicas Ecology and Society, Conservation and Society, Ambio and Sustainability Science

Cecilia Polacow Herzog é presidente do Inverde Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana (WWW.inverde.org). É paisagista urbana, especialista em Preservação Ambiental das Cidades, mestre em Urbanismo e professora na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Seu foco principal de pesquisa é como as cidades podem se tornar sustentáveis e resilientes, aprendendo com a natureza. Escreve para o blog coletivo internacional “The Nature of Cities” (http://www.thenatureofcities.com/author/ceciliaherzog/), do qual participam personalidades internacionais dessa área, e é membro da comissão editorial da revista científica LabVerde (, publicação do laboratório da paisagem da Universidade de São Paulo (USP). Também é membro das seguintes organizações: Sure (Society of Urban Ecology); Iale-BR (International Association of Landscape Ecology – Brasil); Urbio (Urban Biodiversity and Design); Amigos do Parque (Associação dos Amigos do Parque Nacional da Tijuca); UCCRN (Urban Climate Change Research Network); e Abap (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas). Participa de regularmente de congressos e seminários nacionais e internacionais.

Para mais informações deixe uma mensagem ou entre em contato com a Editora Mauad, onde pode encomendar a cópia autografada.

www.mauad.com.br ou pelo telefone (21) 3479 7422

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NOSSA IMOBILIDADE URBANA DE TODO DIA!

“Puxador” de trânsito da “cidade maravilhosa”. É mesmo surreal precisar de um sujeito, pago com nosso suado dinheirinho para ficar com a mão levantada para que os cidadãos que conduzem seus veículos aguardem o sinal vermelho se tornar verde! Estava eu sentada no primeiro banco do ônibus integração METRÔ Gávea-Botafogo, outra invenção surreal da “cidade maravilhosa”. é isso mesmo, engarrafados, e sem lugar para entrar. Veja a sequência que é bem demonstrativa da qualidade de nosso transporte de massa, isso em um dos lugares mais valorizados da “cidade maravilhosa”.

Qualidade de transporte de massa na “CIDADE MARAVILHOSA”

Isso ocorre na linha que liga Gávea-Botafogo, por volta das 17 horas de terça-feira dia 12.03.2013. Deve ser porque sempre ouvi que carioca adora entrar em fila.

e o carioca “povo mais feliz do Brasil”, segundo o caderno de domingo do Globo de umas duas semanas atrás enfrenta o desafio de andar de tranporte de massa na “cidade maravilhosa”. Cadê a tal da felicidade extrema? é só tomar chopp e ir à praia?

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Acho que é necessária uma reflexão sobre o que está ocorrendo na cidade, e como estão sendo as intervenções estão sendo arquitetadas legalmente aproveitando a desarticulação da população insatisfeita – SOMOS MUITOS!

Desde o final de 2011 participamos Instituto INVERDE (que presido, e com a colaboraboração voluntária de Lourdes Zunino e Gisela Santana) do Conselho de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro. Ontem, dia 26.02.2013, houve a eleição dos novos membros do Conselho, do qual decidimos não participar mais.
Abaixo o ofício que li para explicar a nossa decisão de sair do CONSEMAC – Conselho de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro.

O vídeo da gravação írá ao ar até o final da semana.

OFÍCIO DE SAÍDA DO INSTITUTO INVERDE DO CONSEMAC

OFÍCIO DE SAÍDA COMO MEMBRO DO CONSEMAC

OFÍCIO DE SAÍDA COMO MEMBRO DO CONSEMAC

Abaixo observações sobre as notícias do dia (26.02.2013) sobre a total vulnerabilidade em que nos encontramos, e só irá piorar com os imensos desafios que estamos enfrentando acelerados pelas mudanças climáticas.

Instituto de Estudos, Projetos e Pesquisas em Infraestrutura Ver

Postado em 27.02.2013
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Carta aberta ao Sr. Prefeito, Sr. Governador e aos moradores da Cidade Maravilhosa

Prezados senhores governantes e moradores do Rio de Janeiro,

Quando os senhores – Prefeito e Governador – foram eleitos fiquei muito entusiasmada, pois o Rio finalmente teria governantes jovens com olhar contemporâneo, voltados para um futuro sustentável. Com esse entusiasmo um tanto juvenil, marquei uma reunião no início do mandato do Sr. Prefeito com Sr. Roberto Ainbinder, então o diretor de Urbanismo do IPP – Instituto Pereira Passos (órgão que deveria planejar a cidade com a articulação de seus vários departamentos, hoje totalmente modificado). Roberto reuniu um grupo de dedicados funcionários que assistiram à minha apresentação de um plano de infraestrutura verde para a Cidade Maravilhosa ficar ainda mais maravilhosa. A infraestrutura verde visa a melhoria da qualidade de vida dos moradores em harmonia com a natureza e os seus processos naturais, além de adaptar e preparar a cidade para enfrentar os desafios que as mudanças climáticas já estão trazendo para o mundo todo.

Com o passar do tempo, fomos nos surpreendendo (nós, as pessoas que pensam e têm uma visão mais integradora da cidade) pela falta de planos e projetos consistentes, principalmente a partir do momento em que a cidade foi escolhida para acolher os eventos esportivos internacionais. Imensos investimentos estão sendo feitos para prepará-la para esses eventos. Transparência e participação não têm feito parte desse processo. Portanto, ficamos sabendo das intervenções pelos jornais, ou ficamos sabendo de audiências públicas em cima da hora. Parece que não estão mesmo querendo que os moradores, pesquisadores das diversas áreas que evolvem a cidade, e a sociedade civil organizada participem das decisões que irão afetar as suas vidas e os seus bolsos.

A cada dia sou surpreendida por notícias que cobrem praticamente todo o território do município destruindo a biodiversidade urbana que nos oferece inúmeros serviços ecossistêmicos, o que me causa um enorme desconforto e uma sensação de impotência como se um tsunami estivesse passando sobre a cidade toda! Áreas ecologicamente relevantes estão sendo transformadas em áreas com maquiagem verde, ou seja, insustentáveis. No contexto atual, esses remanescentes de ecossistemas e áreas úmidas são ainda mais relevantes, pois poderiam servir para adaptar e amenizar os impactos das mudanças climáticas, principalmente em áreas baixas e costeiras. São áreas de acomodação das águas das chuvas, vulneráveis à elevação do nível do mar – está tudo bem descrito desde 2008 no livro Rio Próximos 100 anos (IPP) e no relatório de 2011 sobre as Vulnerabilidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro às Mudanças Climáticas, coordenado por Paulo P. de Gusmão (LAGET/IGEO/UFRJ), em conjunto com Sérgio Besserman Vianna (Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável) e Paula Serrano do Carmo (IPP). No entanto, o que tem sido feito com enorme consistência é ignorá-lo com a destruição da biodiversidade presente em áreas protegidas, e em ruas e praças importantes para moradores de muitos bairros da cidade. Contudo, os moradores e suas associações não estão articulados e suas reivindicações não são consideradas.

Lendo a coluna de Agostinho Vieira do dia 6.12.2012 sobre as perdas e danos nas cidades que estão em debate na CoP 18 sobre as mudanças climáticas em Doha, fiquei ainda mais indignada com o que está sendo feito na cidade. Tenho participado de inúmeros eventos internacionais sobre as mudanças climáticas e a biodiversidade. O último foi a CoP 11 sobre a biodiversidade, em Hyderabad na Índia, em outubro, onde aconteceu um evento paralelo sobre as cidades e a biodiversidade. Nesse evento, prefeitos e representantes mostraram o que estão fazendo para proteger e aumentar a biodiversidade urbana para que as suas cidades sejam resilientes aos impactos das mudanças climáticas e sustentáveis no longo prazo. Curitiba estava lá!

No Rio, parece que estamos fora do planeta Terra, imunes aos efeitos dessas alterações. Chuvas intensas e secas prolongadas fazem parte dessa mudança no clima e afeta profundamente as cidades e seus moradores. O Rio de Janeiro não está fora disso. Só para lembrar alguns eventos climáticos recentes com chuvas catastróficas: Rio de Janeiro, 4 de abril de 2010 – saldo mais de 250 mortos, 10.800 pessoas perderam suas casa; Angra dos Reis, Reveillon de 2009-2010 – saldo 31 deslizamentos, com 53 mortos; Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2011 – saldo mais de 900 mortos (oficialmente…) e 30.000 desabrigados; Região Serrana, 6 de abril de 2012 – mais 5 mortos, 15 feridos e mais de 300 desabrigados. As perdas econômicas, sociais e ambientais são imensas e pagas por nós contribuintes, quando chegam ao seu destino final… Esse ano, estamos enfrentando uma forte seca, não apenas no nordeste, mas por aqui mesmo.

Porém, não interessa falar em coisas “ruins”. O marketing recomenda manter as pessoas em um nível de otimismo e de esperança para que se mantenha a roda do consumo apoiado em desejos permanentemente insatisfeitos. Assim continuaremos nossa rota de “crescimento” a qualquer custo, fazendo cidades como no século XX !! O nosso prefeito foi até mesmo chamado de CEO do Rio de Janeiro pelo presidente da IBM em evento fechado realizado no Teatro Municipal em novembro de 2011. Será que isso significa que nosso prefeito foi considerado pelo executivo que comanda uma das maiores empresas de tecnologia do planeta, como um executivo voltado para o lucro da cidade transformada em negócio, e não um prefeito que eleito trabalha para o bem-estar de seus cidadãos?

O Princípio da Precaução deveria orientar as decisões de pessoas responsáveis pelo presente e futuro das cidades. Esse princípio data da Rio 92, e diz o seguinte “O Princípio da Precaução é a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados. Este Princípio afirma que a ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano.” Trocando em miúdos: na dúvida se vai trazer danos às pessoas e ao patrimônio, é melhor não fazer.

Nenhuma das intervenções que estão sendo feitas na cidade, até onde eu sei leva esse princípio em conta, senão não estaria sendo feita. Mas, o que me mais me surpreendeu, Sr. Prefeito, foi a sua declaração sobre o risco iminente de colapso do elevado do Joá, publicada no jornal O Globo do dia 5.12.2012. Na matéria o senhor alega que “Não há provas que de que o Joá tenha que ser interditado imediatamente.” Mesmo, com a recomendação da COPPE/UFRJ afirmando o contrário. Novamente trocando em miúdos: PRECAUÇÃO ZERO!

Senhores, senhoras e jovens que reelegeram o prefeito por ampla maioria, também são corresponsáveis por essas decisões imprudentes e inconsequentes. Porém, ainda é tempo de revisar para onde o nosso dinheiro está fluindo, pois nada é de graça. As parcerias público-privadas que estão sendo feitas têm um custo e ele recairá sobre os pagadores de impostos, ou seja, todos nós.

A ocupação da Baixada de Jacarepaguá precisa de planejamento responsável. Durban, na África do Sul por exemplo, não constrói nenhuma infraestrutura a menos de 300 metros da linha da costa há anos. E nós estamos colocando fortunas em áreas de risco de alagamentos por chuvas e elevação do nível do mar, em terrenos instáveis por natureza, como é o caso da Vila do Pan. Continuaremos pagando pelas decisões que favorecem poucos nesse momento, em detrimento da construção de uma cidade para todos, sustentável e resiliente aos efeitos das mudanças climáticas. O preço que pagaremos será muito mais alto do que se houvesse um planejamento baseado em conhecimento científico. É a última chance de mudar de rota.

Senhores Prefeito e Governador as suas biografias poderão não ser exatamente as que gostariam. Poderão ser lembrados pela sua falta de precaução ao implantar tantos projetos que vão contra as recomendações de cientistas e pesquisadores. A conta poderá ser muito alta, e ficar na memória histórica da cidade.

Atenciosamente,

Cecilia Polacow Herzog
Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 2012

P.S. Recomendo a leitura urgente dos seguintes documentos internacionais sobre o tema Biodiversidade Urbana para Cidades Sustentáveis e Resilientes (dos quais eu participei):

CITIES AND BIODIVERSITY OUTLOOK
Publicação do Centro de Resiliência de Estocolmo, Convenção da Biodiversidade da ONU, Universidade de Estocolmo e ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade.

http://www.cbd.int/en/subnational/partners-and-initiatives/cbo

As Declarações do URBIO 2010 e 2012, de Nagoya e Mumbai, respectivamente.
Essas declarações orientam ações voltadas para as cidades das Conferências das Partes (CoP 10 e 11) que acontecem em seguida, sobre a BIODIVERSIDADE NAS CIDADES E SEUS SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS. Em 2010 foi em Nagoya, Japão, e esse ano foi na Índia, em Hyderabad no mês de outubro.

Clique para acessar o fetch.php

Clique para acessar o mumbai_declaration_urbio_2012.pdf

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Paisagem carioca: a responsabilidade é enorme

Até quando as pessoas que são responsáveis pelas decisões de intervir na premiada paisagem da cidade do Rio de Janeiro vão ignorar que estamos com o clima local e global alterado, sujeitos a eventos de forte intensidade, muita chuva ou falta dela? Não sabemos o que nos espera no próximo verão, a estação chuvosa, depois de um ano extremamente seco.

O que aconteceu essa semana em Nova York deveria ser interpretado como mais uma mensagem de extrema urgência para mudarmos os padrões de intervenções nas sensíveis paisagens cariocas. A nossa curta memória permite que projetos sem qualquer embasamento em conhecimento científico sobre os processos e fluxos naturais e as possíveis consequências já publicadas por órgãos da própria administração pública, ou até mesmo as recomendações dos técnicos competentes que trabalham em suas secretarias sejam levados em conta. Onde estão os Estudos de Impactos Ambientais REAIS que poderiam orientar essas intervenções de modo a construirmos uma cidade sustentável e resiliente aos impactos das mudanças climáticas? E a participação da sociedade organizada, universidades, pesquisadores e comunidades previstos nas legislações?

Esses desastres “naturais” irão ocorrer novamente. E não vai demorar. Estamos brincando não só com fogo, mas com águas e ventos. Com a natureza! Será que não iremos acordar? O Rio de Janeiro deveria levar a sério e de forma emergencial um planejamento integrado e sistêmico para sua paisagem urbana. Imensas quantias que estão sendo gastas em obras em locais que estão sujeitos ao aumento do nível do mar, onde áreas de acomodação das águas estão sendo aterradas, rios estão sendo canalizados e a biodiversidade que nos oferece insubstituíveis serviços ecossistêmicos onde vivemos está sendo eliminada. Continuam no mesmo paradigma higienista de tentar se livrar das águas o mais rapidamente possível. Só que não deu certo, e as coisas ainda irão piorar muito, pois o nível do mar está subindo. O Nordeste americano, incluindo Nova York, está sofrendo maiores impactos porque o mar lá já subiu aproximadamente 30 centímetros, com isso a ressaca invadiu as cidades com a maior facilidade e tragou casas e infraestrutura. A destruição está aí para todos verem e o número de mortos continua a crescer. Só para lembrar, o nível do mar aqui também está subindo.

Em sentido oposto, cidades estão sendo planejadas e adaptadas para se tornarem resilientes aos impactos das mudanças climáticas. Congressos mundiais debatem e trocam experiências em busca de novas alternativas para que a adaptação urbana seja feita rápida e eficazmente. O Rio de Janeiro está fora desse debate. Aqui parece que estamos em outro planeta, onde o melhor dos mundos ainda está por vir.

A responsabilidade desses tomadores de decisões, de empreendedores imobiliários, de construtores de infraestruturas é enorme. Parece que não têm a menor ideia do que significa sustentabilidade de uma cidade de forma holística. O que se ouve é sustentabilidade econômica-financeira. Não há sustentabilidade sem considerar o ambiente e as pessoas. Não podemos permitir que as mesmas técnicas já superadas de aterros, alteração do curso dos rios e construção de estradas e vias que bloqueiam os fluxos das águas e eliminam as nossas árvores e ecossistemas continuem. A mudança oportunista da legislação ambiental trará impactos severos e imprevisíveis. Grandes eventos passageiros não podem justificar intervenções permanentes que trazem benefícios financeiros para poucos no curto prazo e ameaças para a maioria no médio e longo prazo.

** Nota: Falta planejamento baseado em conhecimentos que estão no livro Rio Próximos 100 anos publicado pelo IPP, e na publicação Vulnerabilidades das Megacidades Brasilieras às Mudanças Climpaticas – Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2011.

Alguns exemplos: baixada de Jacarepaguá – aterros de áreas úmidas, alteração da dinâmica hídrica com impactos imensos em dias de grandes chuvas, retificação dos rios em Jacarepaguá- idem, corte maciço de árvores em áreas urbanizadas se espalham pela cidade (Deodoro, Pça N.S Senhora da Paz, Freguesia, Campo Grande, entre outros) – ilhas de calor, maiores áreas impermeáveis, e muito mais. Inclusive em Guaratiba, o mague protegido pela Reserva está sob risco de desaparecer por conta do bloqueio dos fluxos das águas que descem dos maciços, e estão causando maiores inundações à montante – aguarde o verão, se as chuvas vierem vai ser um desastre anunciado.

Fora a Trans oeste que além de bloquear os fluxos, ainda precisa de drenagem forçada para não inundar em cima e embaixo – deu no Globo há poucos dias. Ainda tem o campo de golfe sobre área de restinga, arenosa. Irá cobrir uma área drenante com solo arenoso, por uma cobertura de gramados que precisarão de intensos cuidados com irrigação permanente e uso de insumos agrícolas, adubos e inseticidas , ou seja agrotóxicos para se manter verde – polui o lençol d’água subterrâneo e muda a ecologia local, fora os impactos de alterar os gabaritos para aumentar os edifícios que terão impactos sobre a paisagem espetacular que temos. Deverá virar um paredão de prédios (que em sua maioria precisam de ar condicionado em tempo integral, além de outros inúmeros impactos

Essa intervenções impactam tanto, que deveriam ser passíveis de amplo debate público, inseridas em um planejamento sistêmico baseado em conhecimento multidisciplinar da paisagem, seus processos e fluxos socioecológicos e de forma completamente transparente!

Cecilia Polacow Herzog

Rio de Janeiro, 3 de novembro de 2012
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MUDANÇA OPORTUNISTA E IRRESPONSÁVEL DA LEI AMBIENTAL NO RIO DE JANEIRO

O que cidades do mundo todo estão procurando conservar e proteger, ou reconstruindo para tornar as cidades resilientes aos impactos da mudanças climáticas e sustentáveis ambientalmente para oferecer qualidade de vida para seus moradores, o Rio de Janeiro está fazendo exatamente o contrário: erradicando ou colocando em risco: seu precioso ativo ambiental, que deveria ser considerado um patrimônio ecológico intocável que presta inúmeros serviços ecossistêmicos. Manguezais são berçários de vida aquática, protegem a linha de costa contra ressacas e aumento do nível do mar; áreas alagadas e alagáveis das baixadas não são próprias para ocupação; aterros e retificação/canalização de rios, isso é uma total irresponsabilidade à luz dos conhecimentos do século XXI !

É PRECISO TOMAR CONSCIÊNCIA QUE BIODIVERSIDADE É PATRIMÔNIO. TROCAR RESTINGA POR GRAMADO A SER IRRIGADO E TRATADO COM PESTICIDAS É INSANO!

QUANDO VAMOS NOS ORGANIZAR PARA DEFENDER ESSE PATRIMÔNIO QUE É NOSSO??

Veja a matéria em http://oglobo.globo.com/rio/projeto-de-paes-muda-parametros-ambientais-para-setor-privado-construir-campo-de-golfe-na-barra-6618880

Postado em 05.11.2012
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Freguesia em Jacarepaguá, a Macrodrenagem e seus Moradores

No dia 18 de julho, quarta-feira passada estive na reunião promovida pela AMAF – Associação dos Moradores e Amigos da Freguesia para tratar da questão da macrodrenagem dos rios da região sob a organização de seu presidente, Jorge da Costa Pinto . O sub-prefeito Tiago Mohamed compareceu para dar explicações sobre as intervenções e afirmou estar aberto ao diálogo com os moradores. A grande preocupação dos moradores que gerou a discussão foi a intensa verticalização do bairro após 2005, quando o PEU (Projeto de Estruturação Urbana) da Freguesia liberou os gabaritos para a especulação imobiliária, sem o adequado planejamento sistêmico da infraestrutura. Resultado: hoje os moradores estão indignados e sofrem com diversos impactos que essa urbanização tem causado, desde a eliminação de áreas arborizadas a excesso de esgoto sem tratamento sendo despejado diretamente em seus rios.

Na tentativa de resolver o problema da drenagem o município iniciou a implantação do projeto de macrodrenagem da região, que também enfoca a melhoria das águas de toda a bacia. Quanto ao projeto em andamento que é financiado pela Caixa Econômica, o Engenheiro Vanderson da Rio-Águas fez uma apresentação (os slides estão disponíveis na íntegra no facebook do INVERDE). A obra que contempla inicialmente 15 rios da bacia local passa por áreas densamente urbanizadas, e é baseada no conceito de se livrar das águas o mais rápido possível. Esse conceito data da visão higienista do século XX, com a total impermeabilização dos rios e a aceleração dos fluxos das águas, com alguns locais que procuram dispersar e reduzir essa velocidade. No caminho dessa rápida transformação da calha do rio em um canal está ocorrendo a eliminação da biodiversidade existente, e a sua substituição por gramados em alguns pontos, como se pode ver nas fotos da apresentação (ver figura abaixo).

Rio Sangrador sendo canalizado

Não sou engenheira, mas como paisagista urbana como visão sistêmica da cidade, tenho visto em diversos países e em conferências que os rios que foram canalizados estão sendo renaturalizados, pois já se sabe que não é possível controlar a natureza e suas forças, é preciso conviver com elas. Para isso, é preciso mimetizar, aprender com os processos naturais e procurar trabalhar em harmonia com a natureza para que a qualidade de vida nas cidades venha a ser sustentável e resiliente a grandes eventos climáticos, como tempestades. Não falta conhecimento no Brasil sobre o tema de drenagem urbana que trabalha com a natureza, por isso creio que os projetos deveriam ter uma visão sistêmica abrangente, que não olhe apenas para uma questão isoladamente.

O que vemos é a repetição de modelos que não deram certo na cidade. Basta ver o que acontece na região do Maracanã e Lagoa, onde os rios foram canalizados, e as áreas úmidas aterradas na tentativa de resolver os problemas de enchentes, doenças etc. A cada chuva essas áreas são inundadas com prejuízos enormes (sociais, ambientais e econômicos) e os mosquitos permanecem como ameaça constante.

É urgente planejar as intervenções nas áreas urbanas com visão sistêmica, que englobe os sistemas geológicos, hidrológicos, biológicos, sociais, circulatórios e metabólicos como a infraestrutura verde faz. É necessário ter conhecimento da ecologia urbana para que se possa construir cidades sustentáveis e resilientes. Nesse contexto, a participação da população desde o início dos processos de planejamento é essencial, e está previsto em leis, como o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor.

Cecilia P. Herzog
Rio de Janeiro, 20 de julho de 2012

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Artigo que escrevi sobre as paisagens cariocas eleitas patrimônio da humanindade e as que estão sendo transformadas de modo insustentável nas áreas de expansão urbana da cidade. Apresento também o plano de Corredores Verdes para o qual estamos colaborando que está sendo desenvolvido sob a coordenação de Celso Junius da SMAC – Secretaria do Meio Ambiente da Cidade. Boa leitura – tem tradução em portugues logo depois do inglês.

http://www.thenatureofcities.com/

Postado em 10.07.2012

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Paisagem Carioca da Humanidade para os Cariocas

A paisagem carioca ganhou o reconhecimento internacional de suas belíssimas paisagens que representam o conjunto construído pela interação do sistema sócio-ecológico ao longo dos últimos séculos. Se olharmos as fotos disponíveis no website da UNESCO, vemos a importância de suas áreas verdes, dos fragmentos de Mata Atlântica que recobrem os morros e sua relação com o mar. Essas florestas tinham sido devastadas pelo plantio de café e foram replantadas inicialmente no século XIX pela necessidade de restabelecer as fontes de água que tinham secado. Sua regeneração traz benefícios além de sua beleza cênica. Os serviços ecossistêmicos das florestas são de extrema importância para os moradores, pois sem elas nossa cidade maravilhosa seria alguns graus mais quente, os deslizamentos e enchentes trariam ainda maiores impactos e prejuízos, não teríamos as áreas de lazer como o Parque da Tijuca, nem de contemplação como a Vista Chinesa, e a cidade não atrairia tantos turistas e atenção do mundo todo. Assumimos o compromisso de mantê-la e para isso é preciso pensar na ecologia dessa paisagem, na interrelação desses fragmentos de mata com os outros que recobrem o maciço da Pedra Branca e de Gericinó-Mendanha. É preciso também olhar para as áreas baixas que acomodam as águas de suas bacias de drenagem espetaculares por natureza.

A Secretaria do Meio Ambiente da cidade (SMAC) está desenvolvendo o planejamento de “Corredores Verdes” para a conexão das áreas florestadas da cidade de modo a manter a sua funcionalidade, com os fluxos de fauna e flora necessários para sua manutenção no longo prazo. A paisagem carioca deve ser pensada e planejada para além dos limites do tombamento, pois ela é magnífica também na Baixada de Jacarepaguá e em Guaratiba. A sua ocupação deveria ser acompanhada de extremo cuidado e baseada em conhecimento científico para que a cidade venha a ser sustentável e resiliente. Existem estudos que deveriam embasar os PEU’s de Vargens, de Jacarepaguá e de Guaratiba. Na zona norte as áreas verdes devem ser protegidas e expandidas para democratizar o bem-estar trazido pela biodiversidade.

É urgente a mudança de paradigma para um urbanismo ecológico, que contemple os processos e fluxos naturais, que preserve e mantenha as áreas úmidas necessárias ao equilíbrio dinâmico da paisagem urbana. As áreas que estão sob pressão de expansão não podem mais ser tratadas da mesma forma que no século passado. Não podemos repetir os mesmos erros de aterrar áreas que acomodam as águas, continuar canalizando e retificando rios, dar preferência para a expansão urbana e aos veículos motorizados.

A paisagem deve ser bela também na escala do pedestre. O Rio de Janeiro oferece uma infraestrutura verde na escala urbana que deveria se prolongar aonde as pessoas vivem: ao longo de suas ruas e corpos d’água. A arborização urbana deveria ser prioritária. Os seus rios e córregos deveriam ter um tratamento especial para proteger os que estão em boas condições e renaturalizar os que estão canalizados e escondidos em galerias, poluídos e sem vida.

As paisagens precisam ser mais do que belas, precisam desempenhar funções ecológicas insubstituíveis que possam dar sustentabilidade às atividades humanas. Deve-se evitar alterar a paisagem de modo fragmentado e pontual. Agora temos um compromisso assumido mundialmente de manter a nossa paisagem. É o momento de rever a forma das intervenções urbanas, para que sejam feitas com visão sistêmica que considere os fatores sócio-ecológicos, com um planejamento consistente com o esplêndido suporte natural reconhecido mundialmente.

Cecilia Polacow Herzog
Rio de Janeiro, 2 de julho de 2012

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Reflexões sobre a Rio+20

Foram duas semanas intensas e o resultado que pude tirar de tudo que participei foi que nós temos que resolver as questões mais prementes nas cidades. Afinal, mais da metade das pessoas do planeta moram nelas, e no Brasil o percentual sobe para quase 85%. A pegada ecológica maior vem das cidades e do que seus moradores fazem. O futuro está em cidades diferentes da cidade industrial, baseada em crescimento do consumo desenfreado. Cidades que considerem as pessoas e a natureza em primeiro lugar. Cidades que podem ter economias sustentadas por trabalhos voltados para fazer as pessoas felizes, e não apenas com direito a se endividar para comprar mais e mais para manter a roda dessa economia num eixo que está nos levando a um beco sem saída. Do jeito que estamos indo não vai ter ar para respirar, água para beber e comida saudável para comer – aliás, em muitos lugares já não tem, inclusive no Rio de Janeiro. As cidades irão continuar apagando incêndios, ou melhor, pagando os custos de enchentes e deslizamentos, irão perder infraestruturas caras e imóveis que estão sendo construídos em áreas sujeitas à subida do nível do mar. O calor vai ser cada vez mais insuportável e iremos consumir mais e mais energia para nos refrigerarmos. Lembrando que nossa energia limpa viaja milhares de quilômetros para chegar até nossas cidades, e ainda precisam de enormes áreas represadas que mudam a ecologia dos rios e de toda a região de seu entorno.

O grande ganho da Rio+20 foi a mobilização social e a tomada de consciência por um número enorme de pessoas que é preciso mudar. Precisamos conviver com a natureza, pois dela dependemos, fazemos parte e estamos sujeitos às suas mudanças de forma inexorável. Se mudar para melhor, teremos vidas melhores. Se mudar para pior (e é o que está acontecendo), podemos estar rumando para o fim da civilização que nós humanos construímos. Podemos perder todas as coisas boas que inventamos, todos os confortos que adquirimos, a saúde e longevidade obtidas (de forma excludente, pois muitos estão fora dessa festa). Na Rio+20 a equidade social e o respeito à multiplicidade cultural permeou grande parte dos eventos e manifestações. Viva a diferença! Precisamos de diversidade em tudo: social, cultural e biológica e até econômica. Não dá para ganhar dinheiro com dinheiro, alavancar sem produzir para vidas melhores. A crise está aí, e creio mesmo que se não houver uma mudança de valores ela só irá crescer.

Finalmente a sociedade do bem-estar entrou na agenda mundial. Mas, o que é bem-estar? Para uns é ir ao shopping e comprar, é uma satisfação passageira e ilusória, mas não deixa de ser um “bem-estar”. Isso mantém a máquina do consumo rodando, a propaganda e a mídia são essenciais nesse processo perverso. Mas, pode ser diferente? A sociedade da colaboração está nascendo? Será isso possível? Com tantas guerras por poder e recursos naturais fica difícil acreditar que poderá ocorrer em escala global. Mas, em escala local é possível. Podemos nos juntar para termos cidades melhores, mais humanas e sustentáveis ambiental, social, cultural e economicamente. Onde o apoio interpessoal e a distribuição de recursos sejam mais justos, e a concentração não leve a um poder municipal que escute apenas os anseios imediatos de minorias privilegiadas.

Podemos construir cidades de baixo para cima, com a mobilização social engajada e consciente das urgências do presente. Podemos fechar os ciclos e consumir localmente, aproveitar os resíduos que são insumos e não lixo. Podemos diminuir as entradas e saídas de energia e matéria. Podemos proteger nossas águas e produzir nossa comida. Precisamos priorizar a arborização urbana que trazem ganhos reais em qualidade de vida.

Não temos mais tempos a perder. Precisamos construir um novo futuro, e começar agora mudando os hábitos individuais e cobrando políticas melhores que favoreçam a maioria. Para essa cidade sustentável e resiliente é urgente termos pensamento sistêmico e a real compreensão do que é resiliência, e de como construí-la para enfrentar os desafios atuais. Isso não só é possível, como está sendo feito em inúmeras cidades em diversos continentes. Precisamos entrar nessa corrida por Cidades+Verdes de verdade, onde a natureza e a biodiversidade urbana prestam serviços ecossistêmicos onde as pessoas estão.

Cecilia Polacow Herzog
Rio de Janeiro, 25 de junho de 2012
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Seminários em Estocolmo

Estive fora nas últimas duas semanas. Fui para Estocolmo para dois seminários promovidos pela cidade. O primeiro foi What about urban nature? sobre biodiversidade urbana e serviços ecossistêmicos. Mais uma vez, participei de um evento que aborda a questão relevante de uma infraestrutura verde para dar suporte às funções urbanas de forma sustentável e resiliente. O segundo foi sobre Águas na cidade. Foi um complemento sobre drenagem e corpos d’água. Conheci muita gente nova, a maioria engenheiros e alguns arquitetos.

Foram apresentações, nos dois casos, com uma oficina antes da visita técnica. Foi uma grande experiência, trabalhar lado a lado com pessoas que estão fazendo as cidades do norte da Europa.

Fez falta a participação de paisagistas (ou arquitetos paisagistas), que são os profissionais treinados para trabalhar a paisagem, entender seus processos e fluxos, fazer a interação com a ecologia urbana, e demais temas sociais, ambientais e econômicos, na oficina sobre adaptação das cidades às Mudanças Climáticas. Os participantes concordaram que nós paisagistas, com a devida formação, somos os técnicos que deveriam encabeçar, ou ter uma participação ativa nas equipes que buscam um futuro melhor para nossas cidades.

Assim que conseguir um tempo, vou escrever sobre os dois seminários com mais detalhes. Pretendo também colocar fotos da visitas técnicas, com avaliações críticas sobre o que visitei.

Rio, 25 de outubro de 2010

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7 respostas para Atualidades

  1. bmt disse:

    uma importante proteção ecológica energética é a energia das marés.tenho dados de monografia própria a respeito que gostaria de repassar anonimamente.
    creio deve haver interesse e se esta suposição for verdadeira por favor informe que posso remeter a materia a pouco e pouco
    se fizessem Belo Monte com plataforma submersa não haveria qualquer interferencia ambiental ou agressão
    tidal energty, marine energy produzida em cidadeslitoraneas (e no Brasil existem inúmeras significativas) a geração de energia lado a lado pouparia extensas linhas de transmissão e eliminaria os custos fabuloso respectivos exemplo itaipú – Fortaleza de milhares de kilometros para centenas de metros
    Cordialmente
    BMT PRESIDENTE CONTINUING EDUCATION INTERNATIONAL SYSTEM
    Founded in 1972 at RIO DE JANEIRO RJ
    medimundi@uol.com.br

    • Cecilia Herzog disse:

      Olá,
      Desculpe a demora, mas acabei só vendo agora.
      claro que pode mandar. Vou mandar email pessoal, assim fica mais fácil. veja o artigo desabafo que postei agora.

      abraços,
      Cecilia

  2. Pingback: Paisagem carioca: a responsabilidade é enorme

  3. Virginia Palhano disse:

    Cecília,
    Gostei muito do seu artigo “Paisagem carioca: a responsabilidade é enorme”.
    É preciso mais responsabilidade com as atuações em nossas cidades de uma maneira geral, principalmente nas cidades litorâneas! O que se vê são obras que não respeitam as recomendações técnicas, nem as pessoas, só visam o lucro imediato! Não aprendem nunca, né?
    Eu me considero perdedora nessas últimas eleições municipais, por exemplo. E o pior é que vão fazer mais e mais obras sem o menor respeito ao meio ambiente e à paisagem!
    Só nos resta fiscalizar essas administrações e aumentar os debates sobre essas questões, que são vitais para toda a sociedade!
    Abraços,
    Virginia

  4. Pingback: Paisagem carioca: a responsabilidade é enorme | Revista Meio Ambiente

  5. Pingback: “Atualidades” | Sonia Rabello

  6. Mãos Verdes disse:

    Querida Cecilia:)) Eu imaginei que você estava facilitando um processo de participação coletiva em forma de dinâmicas vivas~contagiantes onde todo mundo ganha (pessoalmente, comunitariamente e o ambiente): onde pessoas tanto do governo, da universidade, associações, técnic@as, especialistas, jovens e até as escolas conseguem participar, ouvir e ser ouvidos, representar e responsabilizar-se da cidade que queremos para nós e para nossas gerações futuras. Primeiro ampliamos a visão, depois creiamos relações positivas entre todos os atores, e a continuação se realizam as ações~construções lúcidas: Algumas destas construções podem ser em forma de contratos públicos e abertos a sociedade toda, outras podem ser mutirões feitos pelos cidadãos, outras podem ser espaços livres de expressão. Eu sempre imaginei que você, sua equipe, conhecid@s e contatos e qualquer movimento que ame o rio de janeiro estava fazendo isso: regar sementes de amor entre governantes e cidadãos, criando relações entre sonhadores e realizadores, entre visionários e técnicos qualificados, de forma ampla, diversa e participativa. É uma oportunidade única para se fazer todo isso. Tem muitas pessoas sonhando e fazendo coisas muito interessantes. É um momento especial para se unir, trabalhar com as soluções e contagiar com nossa visão ampla a nossos políticos e sociedade. Criando esses espaços não há corrupção, não ha luta e defesa de interesses particulares. Eu imaginei além de presentações; dinâmicas, ações, espaços para o diálogo e criação de projetos. Temos todo o conhecimento, experiência e tecnologia para começar a agir em grupo de forma alegre e efetiva, de forma sustentável. Eu imagino você uma liderança ótima neste caminho. E você não caminha sozinha por esta trilha mágica. Somos muitos, cada vez mais. Você sabe disso tudo mais que eu!! Eu proponho fazer um encontro de sonhos sobre o rio que amamos, queremos e podemos construir entre tod@s. Eu não sou ninguém importante, mas vivenciei a expansão de Barcelona dos anos 1984 até 2005 trabalhando na Universidade Autônoma de Barcelona e no Governo Catalão em meio ambiente, projetos culturais e sociais. Muitas das grandes ideias que ficaram pelos mesmos motivos que os de agora vivenciados no Rio de Janeiro ficaram nas gavetas e corações. Algumas ideas e projetos que sobreviveram e outros que estão sendo resgatados foram aqueles realizados por grupos os mais diversos e interdisciplinares de pessoas da sociedade: anciões, profesores, cientistas, geógrafos, demógrafos, jovens, crianças, arquitetos, urbanistas, paisagistas, advogados, artistas, jardineiros descalzos e sobre todo, mulheres. Meu filho nasceu no Rio. Meu outro filho Gabriel também nasceu e morreu no Rio. Eu amo Brasil e esta cidade e quero fazer todo o possível quanto ao despertar do ser criativo, amoroso e ecológica que mora em cada um de nós.
    Abraço com carinho querida Cecília: Por uma sociedade em Transição: Sonhadora, Ecológica e Profunda, com alegria, beleza e harmonia. Agradecido por compartilhar sementes ecológicas com você. Grande abraço!

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