Cidades

Não dá pra engolir o que acontece na “Cidade Maravilhosa”! O que era uma Reserva Ecológica para proteger um fragmento remanescente de ecossistema riquíssimo na beira de uma lagoa na baixada de Jacarepaguá em área sujeita a inundação devido à elevação do nível do mar, virou um lançamento imobiliário destinado a poucos endinheirados e certamente ignorantes compradores. Aliás, a ignorância impera em uma cidade que não vê outra coisa a não ser $$, e procura ser um produto a ser comercializado no mercado das cidades globais.

Recebi email com as fotos que mostram o que vai virar esse empreendimento imobiliário aliado a um clube de golfe “Olímpico” (irgh!) sobre terreno arenoso e salino. Estou afastada das barbaridades que estão acontecendo no Rio de Janeiro, mas não adianta, parece que a insanidade não tem fim… e acabam aparecendo, mesmo sem que procure.

As fotos falam por si mesmas: um paisagismo cosmético, sem qualquer função ecológica que busca uma idealização de um paraíso perdido, destruído por um sistema doente que destrói a vida que existia nesse local de imensa biodiversidade para dar lugar a uma palmeirização desenfreada: triste realidade carioca. Será ignorância? Será ganância? Será a combinação de muitos fatores que conduzem as pessoas a achar que serão mais felizes nesses lugares sem identidade e pasteurizados esteticamente? Não é apenas lamentável, deveria ser enquadrado como criminoso uma vez que é biocida. Desmata-se, elimina-se ecossistemas como se não houvesse vida nos locais. Dependemos dessa biodiversidade para sermos saudáveis em cidades que oferecem real bem-estar para as pessoas. Sem mais palavras, a minha indignação continua imensa com o que acontece com essa cidade em nome de eventos internacionais. As contas (incluindo as sociais e ambientais) certamente ficarão para nós, os contribuintes.

Ah! mais uma pergunta: essa lagoa limpinha cheia de peixes fica aonde? A que tem nesse local é esgoto puro. Confira nas fotos dos sobrevoos do Mario Moscatelli https://www.flickr.com/photos/mariomoscatelli/

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Está na rede pra quem quiser ver mais detalhes: http://www.riservagolf.com.br/home.html

Só não sei se inclui um curso de italiano pra poder ser um feliz comprador desse empreendimento.

No dia 10.12.2013 publiquei nesse blog na aba Atualidades como estamos na contramão da história ao falar sobre o lançamento do livro Urbanização, Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Mostrei a foto abaixo sobre a área desmatada que está sendo vendida nas fotos acima. Vale conferir. Seria um escândalo derruba governo em um país com instituições sérias e um mínimo de integridade e ética.

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Publicado em 27.06.2014

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Nova York para PESSOAS

Você imagina andar por Nova York de forma relaxada? Pois então confira o vídeo que fiz por acaso caminhando bem no centro da ilha de Manhatan: do Parque Bryant a Times Square. É impressionante que há poucos anos por ali quem reinava eram os carros. As obras são para transformar ruas para carros em lugar para PESSOAS!

Vídeo gravado em 15 de setembro de 2013

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Eindhoven na Holanda: centro tecnológico e ecológico

Circular na Europa de trem é como se fizesse uma volta ao passado: ia de São Paulo, onde morava quando criança, para a casa de meus avós em Bauru com enorme frequencia. É um verdadeiro crime que tenham extinguido os trens no Brasil, pois não há meio de transporte melhor para médias distâncias. Na Europa os trens têm horários precisos, tudo funciona perfeitamente. É uma tremenda tranquilidade circular entre as cidades, e ainda chegar e ter ônibus de qualidade, VLTs ou bicicletas com faixas exclusivas e calçadas para pedestres com pavimento impecável para poder transitar de forma independente, como preferir e de acordo com a conveniência de cada caso.

Assim foi minha visita a Eindhoven. Saí com roteiro de Robert Snepp, paisagista e ecólogo urbano da Universidade de Wageningen que mora na cidade, mas que estava de férias… Enfim, fez um trabalho detalhado com todos os caminhos que deveria seguir para visitar os locais mais significativos em ecologia urbana. Comecei pelo Philips High Tech Campus – conhecido com HTC. É um empreendimento comercial destinado a empresas de alta tecnologia. O prédio central abriga restaurantes, centros de conveniência, administração e demais serviços. O projeto foi feito com enfoque na biodiversidade e nas águas para que as pessoas que lá trabalham tenham um ambiente com altíssima qualidade de vida e que se inspirem junto à natureza. Os edifícios se distribuem dentro de um imenso parque em torno de um imenso lago com vegetação filtrante nas suas bordas. Verdadeiras poltronas gigantes estão espalhadas pelo parque, passarelas permitem passeios pelo meio dos alagados construídos, espaços gramados são locais de descanso depois do almoço. Os muros são de gabião, aquela caixa de metal aramado trançado recheada de pedras onde a vegetação e a fauna têm oportunidades de se instalar. O inusitado foi usar gabião nas paredes do estacionamento, que assim fica inserido na paisagem com vegetação despontando em vários lugares. Aliás, os carros não circulam no meio do campus, ficam confinados ao entorno onde se localizam os estacionamentos.  A prioridade é das pessoas, da biodiversidade e das águas.

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Figuras 1, 2 e 3: High Tech Campus: ecologia e tecnologia, trabalho e lazer juntos oferece qualidade de vida para a criatividade e produtividade

Ao sair do campus, segui caminhando por calçadas que acompanham a ciclovia. Cada meio de transporte tem sua faixa exclusiva, uma para cada um em cada sentido, isso é um lado vai e o outro vem; da seguinte maneira: pedestres, bicicleta, carros, ônibus no meio. Inclusive nas pontes! Uma para veículos e outra para pedestres e bicicletas. Em poucos metros tem uma trilha que vai por dentro de um parque, com áreas alagadas que acomodam as águas e que são ecossistemas ricos em diversas espécies. Como é férias, tinha gente fazendo piquenique, nadando no rio, jogando bola, fazendo churrasco em determinadas áreas. Na verdade, a caminhada oferece diversas atividades ecológicas – como hortos destinados ao cultivo de flores para insetos – tudo com sinalização explicativa; e culturais – um museu com conta a história local com verdadeiros atores que nos mostram como era a vida antigamente, com casas e instalações da época.

Seguindo pela trilha cheguei a um parque mais urbano, mas com água sempre presente. Esculturas de alta qualidade artística espalhadas pelos amplos espaços verdes. Gente desfrutando do dia de verão sob as sombras das árvores na beira dos lagos. Continuando no percurso cheguei ao Museu de Arte Van Abbe[1], que data de 1936, recebeu um anexo com arquitetura contemporânea e um jardim espetacular com uma ponte que atravessa o rio Dommel que possui um design belíssimo.

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Figura 4: Vista do anexo do museu Van Abbe de cima da ponte sobre o rio Dommel

Nas proximidades fica um edifício em terraços com muita vegetação, é um verdadeiro prédio verde! No andar térreo que dá para a rua abriga comércio e serviços, inclusive um escritório da Anistia Internacional. Nos andares mais altos é residencial. Está localizado já bem no coração da cidade, com ruas de pedestres com inúmeros restaurantes com mesas nas ruas.

O percurso entra por uma parte histórica que conta como foi o desenvolvimento industrial local, ao longo de um corredor verde multifuncional – com placas explicativas. Atualmente, residências desfrutam da natureza que retomou o seu lugar. Esse caminho termina em um lugar absolutamente surpreendente: a fachada de uma antiga fábrica de tecidos é a moldura para um alagado construído no local onde funcionou a fábrica, posteriormente transformada em casa de shows. Com o tempo, foi decido fazer um novo edifício moderno e abrir espaço para as águas e a biodiversidade. Um café-restaurante no térreo dá para essa paisagem privilegiada.

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Figura 5: Fachada preservada de antiga fábrica têxtil – no interior foi construído um alagado (ou banhado, como é conhecido em partes do Brasil); no fundo o prédio novo que abriga o restaurante contemporâneo com mesas no exterior dando para as águas e a vegetação. Fica a 5 minutos de caminhada da estação central da cidade.

Para encerrar a visita antes de voltar para a estação ferroviária, é fundamental atravessar o centro onde tem algumas edificações espetaculosas, só para ver um ponto de ônibus!! Não é um ponto de ônibus qualquer, é o PONTO DE ÔNIBUS! Tem muro e teto verdes, e é lindo e agradável. Belíssimo exemplo de como a biodiversidade deve estar em TODOS OS LUGARES.

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Figura 6: ponto de ônibus verde MESMO! teto e muro vegetados


[1] Mais informações sobre o museu acesse: http://www.vanabbemuseum.nl/en/about-us/building/ visita em: 02.09.2013

Publicado em 02.09.2013

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Berlim, as pessoas e a natureza na cidade

Berlim tem uma situação bastante especial, visto que esteve dividida até pouco mais de 3 décadas atrás. Tem áreas que foram abandonadas devido às zonas de exclusão.  Tenho acompanhado o desenvolvimento da cidade com moradores ativos nas escolhas que são feitas para essas áreas e outras como um aeroporto recentemente desativado e transformado em parque o Tempelhof. Foi feito um projeto que venceu uma competição com a participação ativa da comunidade. O conceito desse novo e imenso parque é manter os grandes espaços abertos com vegetação biodiversa que se regenera naturalmente, plantio de árvores só em algumas áreas. As pistas se destinam a ciclista e patinadores que enchem o local até em dia de chuva! Tem áreas para soltar pipas – que são lindas. Esplanadas abertas são perfeitas para fazer skate voador com vela, só que em vez de ser na no mar como na Barra da Tijuca no Rio, é sobre gramíneas!! A área originariamente destinada ao mercado imobiliário, foi apropriada pelos moradores das vizinhanças que fizeram uma infinidade de hortas criativas, que vão além de produzir comida: se tornaram espaços de extensão das casas das pessoas, com verdadeiras salas de estar ao ar livre onde a convivência comunitária é feita, especialmente nos dias com o tempo mais propício para aproveitar as estações. Cada espaço é diferente, com ideias impressionantemente únicas, personalizadas. Fica evidente o reaproveitamento de objetos que não teriam outro aproveitamento a não ser o descarte, como caixas, estrados e ripas de madeira, vidros, caixas de papel tetrapak, latas e muito mais. Uma tenda central comunitária, local de encontros, aulas e shows, na hora da chuva é um abrigo providencial e coletivo. A gente acaba conversando com que está por ali. É uma experiência conhecer pessoas com vidas, realidades, origens e aspirações tão variadas.

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Figura 1: Hortas urbanas feitas por moradores próximos ao novo parque de Tempelhof, são também verdadeiras salas de estar e de convívio ao livre.

Visitar Berlim é sempre um desafio: o que fazer e o que deixar para a próxima oportunidade? Dessa vez tive a sorte do Congresso Mundial de Ecologia Urbana promovido pela SURE – Society for Urban Ecology ser no campus da Humboldt University que fica em um subúrbio chamado Adlershof. À parte de ter que enfrentar vários traslados de transporte público: trens, metrôs de superfície e subterrâneos, ônibus, VLTs e bicicletas; é um lugar extremamente interessante, pois fica no cinturão de desenvolvimento urbano. Quer dizer, existem novas construções sendo feitas com arruamentos prontos e em construção. Portanto, tive a possibilidade de documentar as várias etapas dessas intervenções que estão sendo feitas de acordo com os conceitos mais recentes de drenagem naturalizada. O crescimento urbano está sendo planejado para que a qualidade de vida seja boa , tanto dos moradores e pessoas que trabalham , estudam ou visitam a área. É um bairro que abriga empresas de alta tecnologia.

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Figura 2: Vista parcial da praça central com a biovaleta na lateral da rua. A estética é ecológica, como em quase todos os lugares da cidade.

Todas as ruas têm biovaletas, ou seja, são em trincheiras vegetadas em cotas mais baixas, de modo que recebem o escoamento superficial das vias e calçadas, com o objetivo de minimizar a carga na rede de drenagem, filtrar e infiltrar as águas de chuvas. Tem um parque bem no meio da área mais urbana, que oferece quadras de vôlei e basquete, mesas de pingue-pongue, espaços abertos mais baixos também para armazenar águas das chuvas. Essa área também foi um aeroporto no início do século passado. Várias construções com formas esdrúxulas permanecem, mas têm um valor, pois eram onde as “novas tecnologias “ para que os aviões parassem de cair em parafuso foram desenvolvidas.  Antigas edificações foram complementadas por prédios mais modernos, alguns bastante interessantes, outros meio esquisitos. Por exemplo, o do centro de convenções é um quase cubo todo preto. O que me chamou atenção foram os jardins que ficam nos fundos, que foram mantidos e são rebaixados e servem de lagos secos para acomodar águas das chuvas, e se pode ver que correm com força, mas evitam enchentes em outras áreas. Enfim, é um bairro com infraestrutura verde pronta e sendo construída. Ainda tem um imenso parque no fundo local onde a prioridade é a conservação da biodiversidade. Os usos humanos foram distribuídos em sua volta, com áreas para usos diversos, como as pistas de skate completamente diferentes de todas as que já tinha visto: são em linhas paralelas com diversos tipos de percursos e obstáculos separadas por vegetação (ver fotos). A área núcleo do parque é protegida, sem acesso do público. Pode ser vista de um caminho que circunda o imenso ecossistema, com sinalização interpretativa que têm o objetivo de educar as pessoas ecologicamente explicando o patrimônio de vida que abriga em pleno centro de desenvolvimento urbano.

Ainda em Adlershof, o edifício onde se localiza a faculdade de física da universidade Humboldt é um caso à parte. Há 10 anos foi projetado para ter estruturas verticais que dão suporte a vegetação nas faces que pegam o sol. O projeto foi desenvolvido em torno de pátios internos para iluminar naturalmente, e climatizar, tanto no inverno como no verão. Durante esses anos todos, Marco Schimidt, autor desse projeto ecológico (trabalhou junto com o arquiteto desde o início do projeto), monitora e estuda como a vegetação se desenvolve, se comporta, o que funciona e o que precisou ser ajustado. O conceito é climatizar com a vegetação que transpira e refresca no verão e perde as folhas e deixa o sol entrar no inverno. Sensacional !

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Figuras 3 e 4: Marco Schmidt no segundo andar em dia de monitoramento dos jardins suspensos.

Mais próximo ao centro, em frente ao “Museu do Muro” de Berlim – que separava a cidade entre leste e oeste, em uma área antes ocupada por trilhos de trem que também ficou abandonada por décadas (como no caso do magnífico parque Südgelände, que fica ao sul da cidade) foi criado um novo parque. É inusitado, pois como ficou abandonado durante décadas de separação da cidade, hoje tem uma biodiversidade rica e acessível bem no coração da cidade que foi preservada e é a grande atração. O parque leva o nome da estação Nordbanhof. É só sair da estação, atravessar a rua e subir uns degraus. As pessoas usam não só para se exercitar, brincar ou relaxar, mas também como área de travessia entre diversos pontos do bairro ao som do vento que agita as folhas das árvores, pássaros e insetos.

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Figura 5: Vista parcial do parque e sua relação com a cidade – está localizado bem no coração de Berlim

UFA Fabrik é o antigo centro de filmes da Alemanha, o Hollywood local. De lá saíram os filmes alemães do começo do século como Metrópolis do Fritz Lang. Com a guerra e a divisão da Alemanha, os estúdios de gravação ficaram separados na parte leste e a companhia acabou por encerrar suas atividades. No entanto, as instalações foram aproveitadas pela municipalidade que transformou o local em um centro ecológico-cultural. Os espaços são alugados para diversos pequenos negócios na área cultural, como cursos de artes, dança, café-restaurante, padaria ecológica – onde os produtos são todos orgânicos. Acontecem eventos ao longo de todo o ano. Na parte ecológica, além da fazendinha, com lago e animais, parquinho infantil, com brinquedos estimulantes, ainda todos os prédios receberam tetos verdes e muito da energia é gerada localmente por meio de painéis fotovoltaicos. Na verdade, foi em um dos prédios que o primeiro teto verde da Alemanha foi instalado em 1982 pelo Marco Schimidt, com quem visitei todo o projeto. Lá ele monitora como os tetos beneficiam a qualidade ambiental, com medidores pluviométricos e de drenagem. Não é à toa que hoje teto verde é comum em todo o país e se apresenta uma realidade para transformar lajes que só servem para proteger as edificações de chuva e sol, em verdadeiros ecossistemas que cumprem inúmeras funções com ganhos reais para as pessoas e as cidades.

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Figura 6: Vista de cima do primeiro teto verde instalado em 1982, com os painéis fotovoltaicos para geração de energia para o complexo UFA Fabrik – ao fundo Marco Schmidt e visitantes

Hortas estão transformando espaços urbanos em inúmeros lugares do planeta. Áreas residuais, parques e jardins públicos gramados pouco usados pela população estão se tornando locais de contato direto com a natureza no coração de cidades densas. Em muitos casos por iniciativa dos próprios moradores, que acabam se apropriando dessas áreas e causando verdadeiras minirrevoluções. Em Berlim existem inúmeros casos. Visitei um verdadeiro complexo de hortas com cafés, biblioteca com sala de aulas e encontros comunitários. Era uma praça comum chamada Prinzessinnengarten, bem no centro da cidade, na saída de uma estação de metrô. Dois moradores deram início ao trabalho que deu certo, tão certo, que hoje envolve muita gente, gerando empregos. As pessoas passam a ter contato direto com a natureza e seus processos, passam a compreender de onde vem seu alimento, como isso acontece. Tudo é feito de forma orgânica.  Tudo é acessível, até a compostagem, as áreas de carga e descarga. Como sempre acontece a arte acompanha os movimentos ecológicos: pequenas esculturas com material reciclado, grafites nos trailers e muros, desenhos de crianças e adultos, espaços de estar utilizando o que teria como destino o lixo. É inspirador! Virou até atração turística. Saí de lá revigorada e com alegria de viver, pois vi que é possível mudar a realidade cinza e inóspita à vida de nossas cidades focadas em carros e não na vida.

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Figura 7: Vista parcial do Prinzessinnengarten em frente à saída do metrô, em área central da cidade

Berlim é também uma cidade onde andar de bicicleta é um modo de transporte que se combina com outros modais. Em trens, metrôs, VTLs as pessoas entram e saem com a maior naturalidade com suas bicicletas. Faz parte do cotidiano, usar diversos meios para se movimentar: é bom para as pessoas (gastam sua própria energia e convivem com outras pessoas nos transportes de massa), e é bom para a cidade (tem menos engarrafamentos, menos poluição do ar, das águas e menos ruídos). Todos ficam mais saudáveis.

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Figura 8: As pessoas circulam com suas bicicletas dentro dos vagões de metrôs, trens e dos ônibus. Berlim é uma cidade que proporciona todas as facilidades para a mobilidade das pessoas de forma eficaz

Publicado em 08.08.2013

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ARTIGO que escrevi para a REVISTA AMANHÃ do jornal O Globo do dia 11 de junho de 2013.

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CIDADES E BIODIVERSIDADE: MAIS QUE EVENTOS UMA NECESSIDADE URGENTE

Thomas Elmqvist, Braulio Souza Dias (CBD) e Kobie Brand (ICLEI), no lançamento oficial do CBO 1 em Hyderabad.

 
Thomas Elmqvist, Braulio Souza Dias (CBD) e Kobie Brand (ICLEI), no lnaçamento oficial do CBO 1 em Hyderabad.

Este mês de outubro tive a oportunidade de participar de dois eventos internacionais de peso que aconteceram na Índia. O primeiro encontro foi a terceira edição da Conferência Internacional URBIO 2012 – Urban Biodiversity and Design, de 8 a 12 em Mumbai. O Segundo foi o Cities for Life, em Hyderabad durante a CoP11, nos dias 15 e 16.

O Urbio é uma rede mundial de pesquisadores que nasceu na Alemanha, em Erfurt em 2008 com o intuito de reunir pesquisadores e apresentar os trabalhos em áreas que trazem a biodiversidade urbana para o centro da cena mundial. Antecedeu a CoP de Bonn do mesmo ano, que debateu urgentes questões relativas à biodiversidade, essa rede de vida da qual fazemos parte e dependemos para viver enquanto espécie humana.

Dois anos depois, o URBIO 2010 foi realizado em Nagoya, em conferência preparatória para a CoP 10. As cidades começaram a entrar no cenário mundial, através desse e outros movimentos, como os encabeçados pelo CBD , pelo Centro de Resiliência de Estocolmo , o ICLEI (veja artigo do Russell Galt em http://www.thenatureofcities.com/author/russellgalt/ onde detalha o desenvolvimento desse processo mundial).

Esse foi meu terceiro URBIO, onde tenho apresentado os resultados de minhas pesquisas aqui no Rio de Janeiro. Fiquei feliz por encontrar o Yuri Rocha da Geografia da USP. Foi o primeiro conterrâneo a apresentar trabalho e participar efetivamente da conferência. A troca de conhecimentos e experiências, o cultivo de conexões internacionais e nacionais fazem parte desses eventos, onde uns aprendem com os outros e buscam soluções que possam ser desenvolvidas e adaptadas às diferentes realidades locais. O Comitê do URBIO é internacional, mas falta representação de países latino-americanos. Precisamos ser mais proativos nessa área de pesquisa, de fato entrar com tudo para conhecer e valorizar a biodiversidade nas cidades e os seus serviços ecossistêmicos.
Esse ano os temas fora:
1. Vulnerabilidade dos ecossistemas urbanos e da biodiversidade e seu manejo.
2. O papel d biodiversidade urbana e os ecossistemas na mitigação das mudanças climáticas.
3. Ferramentas e indicadores para medir sustentabilidade urbana.
4. O papel da Infraestrutura Verde e do Projeto.
5. O papel de mecanismos inovadores de financiamento para a conservação da biodiversidade e da mitigação adaptação às mudanças climáticas.
6. Conexões entre urbanização, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
7. Relações entre rural-urbano

O Urbio foi organizado pela Prof. Haripryia Gundimeda, no Indian Institute of Technology of Bombay (IITB), em Mumbai. É uma universidade localizada ao norte da cidade, em área extremamente arborizada, ao longo do Lago Powai. Era um prazer caminhar por suas ruas e vielas a qualquer hora do dia, pois mesmo com o calor local, o ambiente estava sempre ultra aagradável – graças à BIODIVERSIDADE LOCAL! Os patronos da conferência foram o brasileiro Secretário Executivo do CBD: Bráulio F. de Souza Dias, e o Diretor do IITB, além de ter o apoio do Ministério do Ambiente e Florestas.

Foram mais de 250 participantes de países de todos os continentes. Os palestrantes convidados foram Pavan Sukhdev (líder do importantíssimo estudo – The Economics of Ecosystems and Biodiversity –TEEB, do qual Haripryia Gundimeda participou); Glenn Stewart, da Nova Zelândia; Thomas Elmqvist, do Centro de Resiliência de Estocolmo; Madhusudan Katti, da Universidade da Califórnia, em Fresno; Mark Hostetler, da Universidade da Florida em Gainesville. Para maiores informações confira no site: http://www.hss.iitb.ac.in/urbio2012/

No Cities for Life, durante a CoP 11 em Hyderabad, foi a vez das cidades mostrarem o que estão fazendo. Prefeitos, representantes, pesquisadores participaram de sessões que trataram de inúmeros temas. Um dos mais importantes, para mim pessoalmente, foi o lançamento oficial da primeira parte do Cities and Biodiversity Outlook – CBO 1, que trata dos planos e ações que cidades de todo o mundo têm implementado (Foto). O volume específico sobre a Índia teve uma tremenda repercussão e foi reimpresso do dia para a noite para atender à demanda das cidades indianas, que buscam novos caminhos rumo à sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida, além de contribuir para melhorar a biodiversidade e mitigar/adaptar para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

Foi ótimo ver Curitiba, Paraná, São Paulo estado e capital, e o estado de Goiás presentes. No entanto, as cidades brasileiras precisam participar em massa e ativamente desse movimento em busca de sustentabilidade e resiliência com a maior urgência. E tive o prazer de representar o INVERDE, a convite do Centro de Resiliência de Estocolmo, pois estou colaborando na segunda parte do CBO1, a científica que deverá ser lançada no início de 2013.

Voltei com muita energia e conhecimento. Com isso, espero poder contribuir para a melhoria de nossas cidades, com a conservação, melhoria e reintrodução de biodiversidade em todas as áreas possíveis. Precisamos mudar o paradigma urbano imediatamente, dar valor ao que é mais importante: a VIDA EM TODAS AS SUAS FORMAS. Só assim, chegaremos a cidades com índices de qualidade de vida altos com pessoas felizes.
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CBD – Convention on BioDiversity – fruto das negociações da Rio 92.- http://www.cbd.int/
Stockholm Resilience Center – http://www.stockholmresilience.org/
ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade http://www.iclei.org/index.php?id=579

Nota: fotos dos eventos estão disponíveis no facebook do INVERDE.

Cecilia Herzog
Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2012.

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Congresso RESILIENT CITIES 2011 (Cidades Resilientes)

Estou em Bonn participando do congresso sobre Cidades Resilientes. É o segundo ano que venho para cá apresentar trabalhos e propostas que temos desenvolvido no Brasil. Os debates são intensos, os casos interessantes e muitas vezes assustadores, pois os cenários previstos são muito difíceis e trarão problemas cada vez mais graves especialmente para as cidades. O objetivo é discutir como planejar, projetar e adaptar cidades, para que consigam enfrentar os desafios que se apresentam com as mudanças climáticas já estão ocorrendo. Inúmeros casos de desastres causados pelos efeitos da elevação da temperatura no planeta foram apresentados. É animador ver que cidades de todos os continentes estão reagindo proativamente e buscando se adiantar aos desastres que só se agravam a cada ano. Contudo, representando o Brasil éramos muito poucos e na verdade acabei não conseguindo encontrá-los, exceto pela Andrea Young que apresentou o estudo de vulnerabilidades em GIS que fez juntamente com o Carlos Nobre. Foram mais de 500 participantes, representando municípios, entidades, academia, pesquisadores, empresas  e ONG’s.

Como no ano passado, prefeitos de cidades de vários países estiveram aqui em busca de troca de experiências, e acho que 28 já assinaram um compromisso de preparar suas cidades para esses desafios que já se apresentam.

Resiliência é um termo que todos devem incorporar ao vocabulário urbano com a maior urgência, pois se refere à capacidade de enfrentar os impactos de eventos climáticos com o menor sofrimento possível. É bom frisar que mitigação se refere unicamente à redução das emissões de gases estufa, e afeta todas as fontes emissoras e todas as formas de captação de carbono.

Adaptação abrange inúmeras e complexas questões sociais e ambientais que são interligadas e fazem parte dos ecossistemas urbanos para que se construam cidades resilientes capazes de proteger os seus moradores, empresas e seu capital social, cultural ambiental econômico. Londres foi um dos casos que assisti e que participei da oficina. Os seus representantes sabem que se não fizerem mudanças imediatas poderão perder a sua posição de liderança em finanças, pois as empresas migram com a maior facilidade atualmente. Participei de conversas entre representantes de Londres e Nova York, que na maior camaradagem estão competindo para ver quem vai melhor se adaptar para não perder suas posições estratégicas.

Cada cidade tem seus problemas e potenciais específicos, por isso é preciso amplo conhecimento científico e do contexto para que as decisões, planejamentos e projetos transformem cidades vulneráveis, em lugares resilientes e sustentáveis no longo prazo.

Tenho trabalhado para que o Rio de Janeiro acorde para o que está acontecendo, e além de produzir estudos, passe a repensar as ocupações em áreas que deveriam ser protegidas. É só olhar os mapas e ver que obras estão sendo feitas em regiões suscetíveis a inundações, e que serão agravadas com a subida do nível do mar. A combinação de fatores poderá transformar o legado em herança maldita ao combinar tempestades com ressacas (lembram a da semana passada que inundou quiosques em Copacabana? As ondas chegaram a 4 metros!).

Existem soluções que são chamadas de “hard” (engenharia tradicional, que tenta controlar as forças naturais) e a “soft” (que mimetiza a natureza, aprende com ela e busca soluções sustentáveis e que trazem qualidade de vida real para os moradores das cidades). As primeiras têm se mostrado ineficazes e são uma bomba-relógio, vide o caso do rio Mississipi e de Nova Orleans, é um desastre atrás do outro: se não é furacão e inundação e não tem muralha nem barragem, nem canalização de rio que dê jeito.

As escolhas que nossos governantes fazem hoje vão deixar suas marcas em nossa paisagem, e podem ser positivas ou não. Temos o direito e dever de participar, pois somos não apenas os usuários dessa cidade, mas os financiadores desses projetos através de impostos caríssimos que pagamos.

Cecilia Polacow Herzog

Paisagista Urbana, presidente do Instituto Inverde.

WWW.inverde.org

Para saber mais sobre os congressos, aí vão os endereços:

http://resilient-cities.iclei.org/bonn2010/ de 2010

http://resilient-cities.iclei.org/  de 2011

07.06.2011

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É hora de priorizar a infraestrutura verde

A adaptação das cidades às mudanças climáticas, para que se tornem resilientes aos impactos que já estão ocorrendo em todo o planeta, como: inundações, deslizamentos, desertificação, falta d’água, corte de suprimentos de energia e matéria etc., tem sido tema de vários congressos e seminários dos últimos dois anos. As previsões mais sombrias têm se mostrado pequenas perto da velocidade do que vem ocorrendo. O papel da biodiversidade urbana, da desimpermeabilização do solo, dos transportes alternativos de baixo impacto e de massa com combustíveis limpos, da geração de energia local e renovável, e da economia de energia são considerados pontos primordiais na construção de cidades sustentáveis e resilientes. Todos devem ser reunidos em um plano integrado de infraestrutura verde, que consiste numa rede de espaços permeáveis e de preferência arborizados (compreendidos os fragmentos de ecossistemas naturais) que se conectam através de ruas e rios renaturalizados, e outros potenciais corredores verdes.

Uma enxurrada de projetos, propostas e notícias sobre as transformações dos espaços urbanos do Rio de Janeiro, inunda a mídia. Porém, ainda não vi nenhuma manifestação em como a administração está planejando enfrentar os desafios atuais e futuros de forma sustentável. A cada chuva que para a cidade, surgem notícias sobre projetos milionários de drenagem de áreas historicamente problemáticas. O nível do mar está subindo e as imagens divulgadas de muitos projetos estão à beira d’água, como se nada fosse acontecer.  A ocupação de áreas alagáveis, encostas e ecossistemas costeiros está cobrando um alto preço da população. Áreas de produção de alimentos, fundamentais para segurança alimentar, estão sendo erradicadas. Estão sendo cometidos os mesmos erros históricos tão conhecidos de todos. Com o passar do tempo, a tendência é que as coisas fiquem mais e mais graves.

Inúmeras cidades, regiões e países estão trilhando caminhos inovadores, ao planejar e implantar projetos que consideram fatores abióticos, bióticos e antrópicos, em diversas escalas.  A infraestrutura verde já é uma realidade em muitos lugares. Investir em pesquisas e projetos que mimetizam a natureza tem dado excelentes resultados. Para isso, é preciso conhecer como os processos naturais e os fluxos que acontecem na paisagem urbana, e transformar os espaços urbanos monofuncionais em multifuncionais. Ruas, estacionamentos, telhados, canais e jardins podem oferecer inúmeros serviços ecológicos, como: coletar e drenar águas das chuvas, diminuir as ilhas de calor, reduzir temperaturas internas e o consumo de energia, limpar o ar, filtrar as águas de escoamento superficial, melhorar a saúde e a qualidade de vida da população, além de reduzir enchentes e conter deslizamentos. É uma tarefa transdisciplinar que requer a participação da comunidade com transparência.

O Rio de Janeiro tem uma oportunidade única de reverter esse processo. A incorporação dos projetos pontuais em andamento em um plano holístico de infraestrutura verde pode trazer benefícios concretos e sustentáveis para os moradores de hoje e do futuro. Não basta reduzir emissões de gases estufa. Atrair empresas de ponta requer qualidade de vida para seus funcionários. Segurança é primordial, mas qualidade de vida urbana vai além, demanda que ruas e espaços públicos sejam devolvidos à população, com múltiplas funções essenciais. Isso é possível e necessário em toda a cidade, como pode ser conferido em propostas vencedoras do Concurso Morar Carioca de urbanização de favelas promovido pelo IAB-RJ e a Prefeitura do Rio de Janeiro.  Preparar a Defesa Civil para agir em casos de calamidades é fundamental, mas não é solução sustentável no longo prazo. Não irá evitar nem mitigar os efeitos da urbanização desordenada, ou mal planejada. É hora de agir em benefício da coletividade, de planejar uma infraestrutura verde para o Rio de Janeiro.

Cecilia Polacow Herzog

Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2010

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É hora de planejar uma infraestrutura verde para o Rio de Janeiro

O tema de vários congressos e seminários dos últimos dois anos foi como adaptar as cidades às mudanças climáticas, para que se tornem resilientes aos impactos que já estão ocorrendo em todo o planeta. As previsões mais sombrias têm se mostrado pequenas perto da velocidade do que vem ocorrendo. O papel da biodiversidade urbana, da desimpermeabilização do solo, dos transportes alternativos de baixo impacto e de massa com combustíveis limpos, da geração de energia local e renovável, e da economia de energia são considerados pontos primordiais na construção de cidades sustentáveis e resilientes. Todos devem ser reunidos em um plano integrado de infraestrutura verde, que consiste numa rede de espaços permeáveis e de preferência arborizados (compreendidos os fragmentos de ecossistemas naturais) que se conectam através de ruas e rios renaturalizados, e outros potenciais corredores verdes.

Uma enxurrada de projetos, propostas e notícias sobre as transformações dos espaços urbanos do Rio de Janeiro, inunda a mídia. Porém, ainda não vi nenhuma manifestação em como a administração está planejando enfrentar os desafios atuais e futuros de forma sustentável. A cada chuva que para a cidade surgem notícias sobre projetos milionários de drenagem de áreas historicamente problemáticas. O nível do mar está subindo e as imagens divulgadas de muitos projetos estão à beira d’água, como se nada fosse acontecer.  A ocupação de áreas alagáveis e ecossistemas costeiros vai cobrar um alto preço da população. Áreas de produção de alimentos, fundamentais para segurança alimentar, estão sendo erradicadas. Estão sendo cometidos os mesmos erros históricos tão conhecidos de todos. Com o passar do tempo, a tendência é que as coisas fiquem mais e mais graves.

Inúmeras cidades, regiões e países estão trilhando caminhos inovadores, ao planejar e implantar projetos que consideram fatores abióticos, bióticos e antrópicos, em diversas escalas.  A infraestrutura verde já é uma realidade em muitos lugares. Investir em pesquisas e projetos que mimetizam a natureza tem dado excelentes resultados. Para isso, é preciso conhecer como os processos naturais e os fluxos que acontecem na paisagem urbana, e transformar os espaços urbanos monofuncionais em multifuncionais. Ruas, estacionamentos, telhados, canais e jardins podem oferecer inúmeros serviços ecológicos, como: coletar e drenar águas das chuvas, diminuir as ilhas de calor, reduzir temperaturas internas e o consumo de energia, limpar o ar, filtrar as águas de escoamento superficial, melhorar a saúde e a qualidade de vida da população, para citar apenas alguns. É uma tarefa transdisciplinar que requer a participação da comunidade com transparência.

O Rio de Janeiro tem uma oportunidade única de reverter esse processo. A incorporação dos projetos pontuais em andamento em um plano holístico de infraestrutura verde pode trazer benefícios concretos e sustentáveis para os moradores de hoje e do futuro. Não basta reduzir emissões de gases estufa. Atrair empresas de ponta requer qualidade de vida para seus funcionários. Segurança é primordial, mas qualidade de vida urbana vai além, demanda que ruas e espaços públicos sejam devolvidos à população, com múltiplas funções essenciais. Isso é possível e necessário em toda a cidade, como pode ser conferido em propostas vencedoras do Concurso Morar Carioca de urbanização de favelas promovido pelo IAB-RJ e a Prefeitura do Rio de Janeiro.  É hora de agir em benefício da coletividade, de planejar uma infraestrutura verde para o Rio de Janeiro.

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São Paulo em busca de mais verde

Estive em São Paulo duas vezes depois de quase dois anos. Pois é minha cidade, e fiquei longe tanto tempo… Mas, foi bom voltar agora e ver o que está acontencendo com os seus parques. Depois de décadas com 31 parques, o Secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge está fazendo um belo trabalho com o programa de completar 100 parques até as próximas eleições. É fazer parques também dá voto! Viva!!

Há 1 ano estão em ritmo de implantação frenético, já chegaram a mais de 70 e irão passar os 100! Estão com uma equipe jovem e motivada de arquitetos, biólogos, engenheiros, agrônomos. E buscando soluções contemporâneas, abertos a novos conceitos e interessados em aprender e aplicar. Isso é muito bom.

Aliás, não seria ótimo se começasse uma corrida pra ver qual é a cidade mais verde, ecológica do Brasil? Por enquanto quem está faturando internacionalmente é Curitiba, mas por aqui não dá muito Ibope… É a cidade brasileira que assume compromissos com a biodiversidade, que tem programa de nativas em parques etc. Quanto à qualidade dos projetos dos parques, a questão é mais complexa e fica pra um outro escrito.

Voltando a São Paulo, fiquei gratamente surpresa com o que vi. Está certo que tem muito o que melhorar. A vegetação nativa deveria ser privilegiada, os gramados evitados, mata ciliar plantada nas margens de córregos. Mas, tem muitos projetos já sendo usados pela população, com biodiversidade em alguns, como o Parque das Águas na zona leste (bem no limite do município). Fiz vistoria com o Edimilsom, que é o arquiteto responsável pela zona leste. Vi “taboas” e muita vegetação em volta de nascentes, em área bem carente. Estive no parque Consciência Negra, que tem referências à cultura negra local e as pessoas estão adorando.

Já o parque linear Ermelino Matarazzo, tem muito gramado e nenhuma mata ciliar, além de uma tremenda poluição nas águas de cor azul co cheiro forte (química de alguma indústria na área). Uma grande parte continua encoberto em galeria. Falta arborização e mata ciliar. Mas, as pessoas usam. Pena que não cuidam, pois havia muito lixo espalhado. Precisa de educação ambiental urgente, para que seja mantido pelos próprios moradores. Afinal, é por ali é o seu quintal. Lá também tinham muitas Kombis da Secretaria de Saúde estacionadas na calçada e na descida das escadas que é um dos acessos ao parque.

Semana passada fui para áreas mais privilegiadas. Visitei com a Claudia, arquiteta responsável pelas zonas centro e oeste, e com parte de sua equipe a Praça (ou é parque) Victor Civita. Área degradada e poluída durante décadas por ser o incinerador de lixo da região. Hoje virou museu de sustentabilidade, uma ótima idéia. Tinha crianças pequeninas com professores visitando e aprendendo sobre ecologia. Exemplo de boa prática!

O projeto fala em alagados construídos, mas procuramos e encontramos espelhos d’água, com alguma vegetação exótica e peixinhos. Não dá pra ver o caminho das águas. Tem vegetação exótica em todos os lugares, árvores só as antigas. O plantio novo foi de algumas palmeiras, que não têm funções ecológicas, como as árvores. A arquitetura da arquibancada e das passarelas sobre o solo poluído, é muito interessante. Mas, ainda quero dar uma olhada mais cuidadosa no projeto para entender melhor.

Depois fomos ao Parque das Corujas, na Vila Madalena. A drenagem é naturalizada, com diques para conter as águas que descem de taludes muito íngremes. O projeto é da Elza Niero, e acho que o Paulo Pellegrino esteve por perto. A vegetação é toda exótica e muitas espécies invasoras, como a Maria-sem-vergonha que está na beira córrego.

Cecilia

16.11.2010

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O Rio não pode se perder de si mesmo

O Rio de Janeiro tem como seu maior patrimônio a sua paisagem, seus atributos naturais e culturais. Seria de enorme valia que os tomadores de decisão tivessem uma efetiva tomada de consciência desse potencial econômico quase inigualável no planeta. O Rio é uma “Cidade Lazer”, com inúmeros pontos de interesse e áreas com vocação para receber seus moradores e turistas nacionais e internacionais, além de sediar empresas do terceiro milênio.

As condições desses espaços, no entanto, estão em péssimas condições de uso, com calçadas para pedestres e pistas para ciclistas em condições de abandono. Os jardins e arborização estão degradados. Além da insegurança para que as pessoas de todas as procedências circulem livremente pela cidade (como acontece com os grandes pólos turísticos mundiais) com suas câmeras fotográficas, computadores, o simples caminhar pela cidade é uma aventura. Os cruzamentos para pedestres, na realidade são para veículos que não respeitam faixas nem sinais. Não basta dizer que existem bicicletas de aluguel, é necessário que os ciclistas possam trafegar de modo seguro e que possam apreciar o nosso patrimônio.

O movimento das ruas é o que atrai as pessoas. Shopping Centers são iguais em todos os lugares. A identidade do lugar está no que é único, seu, intransferível. Isso o Rio tem de sobra, e deveria valorizar de verdade. Não basta dar um tratamento cosmético aos lugares, dar um ar de primeiro mundo, construir torres de vidro. A natureza e a cultura local que atraem na cidade, estão se perdendo. Superfícies impermeáveis, sem alma, projetos com desenhos genéricos, é o que se vê na divulgação do que se pretende construir para os grandes eventos esportivos. Imensos investimentos que poderiam imprimir a alma carioca, sua beleza e charme parecem que vão se transformar mais uma vez em soluções arquitetônicas oportunísticas, que buscam inspiração em livros empoeirados de uma estética pseudo moderna.

A estética contemporânea é outra, busca a natureza e cultura do lugar para se inserir na paisagem, sem agredir, pertencendo e contribuindo para a manutenção dos processos naturais, da biodiversidade, das artes populares e eruditas. Não faltam exemplos e profissionais das áreas da paisagem e da arquitetura que trabalham com essa abordagem amigável com o ambiente e o sócio-cultural onde estão inseridos. Projetos que podem estar em qualquer continente, com a mesma vegetação, material de construção, que selam o solo, interrompem os fluxos naturais e das pessoas deveriam ser evitados a qualquer custo. O preço a pagar é sempre mais caro, pois além de desconectar as águas que causam enchentes e deslizamentos, e eliminar a natureza nativa, desconectam as pessoas do seu local, de sua identidade. Tudo se perde. Inclusive os investimentos e turistas. Todos buscam mais harmonia, mais qualidade de vida, mais contato com o local. Basta dar uma olhada nas cidades mais atraentes aos negócios e ao turismo, não se perderam de si mesmas. O Rio está cada vez mais distante de tudo que é seu. Temo que agora vá se perder de vez.

Cecilia Polacow Herzog

29 de setembro de 2010

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Existem outras alternativas

Tive um insight a partir da aula de uma aula sobre evolução dos planos urbanos do Rio de Janeiro, com Nina Rabha. A cidade teve sua história baseada na tentativa de dominar os problemas de saúde e habitação através da alteração radical de sua geomorfologia e na eliminação de parte de seus ecossistemas. Como se isso fosse resolver as doenças que grassavam por aqui, além da febre amarela e outras moléstias contagias, estiveram sempre presentes: a pobreza, a partição social, a falta de saneamento. A paisagem que encantou e estimulou a curiosidade de cientistas e viajantes era considerada a causa de tantas desgraças. Então qual a solução? Acabar com ela. Simples assim, derrubar morros e com suas terras (além do lixo, que precisava ser jogado em algum lugar) aterrar aqueles locais que acomodavam as águas das chuvas: os brejos e áreas baixas. Com eles se foram a biodiversidade e os espaços para as águas.

As grandes obras visavam só resolver problemas conjunturais. Não que não houvesse proposições e planos mais visionários, mas o que se acreditava na época era que o que causava as doenças eram os miasmas. As doenças vinham da terra, da umidade. Portanto, nada mais natural do que secar tudo, de forma drástica e radical. Ou melhor, tentar secar o que é por NATUREZA, úmido! Estamos numa área tropical, de Floresta Tropical Chuvosa (a famosíssima Rain Forest, pelo menos por enquanto…).

Já no século XIX havia proposições de reaproveitar as águas das chuvas, arborizar adequadamente, lagos com bacia de captação, inclusive onde é hoje a Praça da Bandeira. O Plano Agache, já no século XX propõe um plano onde as áreas florestadas e as áreas verdes de uso público estão demarcadas para conservação, indica as áreas de expansão e tem objetivos claros de remodelar e embelezar a cidade.  O Plano Doxiadis,faz um estudo detalhado sobre a cidade e faz projeções de crescimento para poder planejar a infraestrutura necessária para o futuro e visa resolver os problemas urbanos. Apesar de seus aspectos arquiteturais, tinha em sua parte legislativa uma proposta mais ambientalista, quer dizer, de trabalhar com a paisagem, com os processos naturais. Respeitar as águas. Esse fundamento foi completamente ignorado ao longo de nossa história. Há que se louvar o replantio de Mata Atlântico iniciado por iniciativa de D. Pedro II no século XIX. Graças a ele, hoje temos o paraíso que se constitui no atual Parque Nacional da Tijuca.

O grande problema não é o que foi ou não realizado, o pior é que em pleno século XXI, com todo o conhecimento embasado em ciência, e com a tecnologia disponível hoje,ainda se insiste em fazer do mesmo jeito. Como se estivéssemos no século XIX, ou XX. Aterrar as áreas que deveriam ser preservadas nas baixadas para construir barreiras viárias, e lotear para que o mercado imobiliário possa continuar seu incessante caminho de crescimento sobre áreas inadequadas. É surpreendente, senão inadmissível do ponto de vista ambiental e humano. Como botar gente para morar e circular em áreas de risco, seja de alagamento, seja de deslizamento?

Onde estão os Estudos de Impacto Ambiental? Os diagnósticos da paisagem? Como saber como ocupar? Como sabemos disso? Cadê a transparência e participação que a Agenda 21 e o Estatuto das Cidades prevêem? Quantas perguntas que levam ao bom senso, à compreensão que as intervenções na paisagem têm um custo, e como medir esse custo? O que perdemos e o que vamos ganhar?

Estamos estragando um patrimônio natural que deveria ser preservado para as próximas gerações, em nome de um crescimento econômico predatório. Mas, só existe essa forma? Não haveria possibilidades mais ecológicas de se pensar a cidade onde 6 milhões de pessoas vivem? Como transformar o crescimento em desenvolvimento? Voltar os faróis da economia para o desenvolvimento sustentável, com energia solar, eólica ou da maré. Investir em educação e alta tecnologia. Atrair as empresas que já fizeram a virada para a economia verde, terceiro milênio. As melhores e mais potentes empresas estão nesse processo e seus funcionários engajados na causa ambiental. Esse universo empresarial busca lugares agradáveis, saudáveis e integrados com a natureza e seus processos para se instalar, pois seus colaboradores preferem. Existem maneiras ecológicas de fato de desenvolvimento com uma infraestrutura verde orientando o processo, em vez da infraestrutura cinza (vias, tubulações, canalização de rios etc.). Muitas cidades já implantaram infraestruturas que mimetizam a natureza e estão trabalhando seriamente nisso. Estão trabalhando com a natureza: custa mais barato no longo prazo, tanto financeiramente como em saúde e perdas humanas.

E as Mudanças climática, o que irão acarretar? Basta pensar na Defesa Civil? Será que não dá pra adaptar e procurar amenizar os impactos? Existe um movimento em andamento de cidades que já estão se preparando para enfrentar os desafios causados pelas mudanças climáticas. Por aqui parece que estamos fora do planeta, só se fala em como se reagir aos estragos que os eventos extremos causam. E como se adaptar para prevenir? Dá sim, tem muita gente pesquisando, fazendo e trabalhando seriamente para isso. Os resultados já começam a aparecer.

Cecilia P. Herzog

Rio , 21 de setembro de 2010

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Pra começar

É um desafio diário viver numa cidade como o Rio de Janeiro. A qualidade de vida é péssima. O transporte é um sacrifício. Seja dentro de carros blindados, com vidros fumê. Seja num ônibus apinhado que anda feito louco pelas ruas, como se fosse uma moto, lotado de gente. As calçadas, com raríssimas exceções (não me lembro de nenhuma) são quase intransitáveis (tenho uma coleção de fotos delas), além das bicicletas circulando no lugar de pedestres. Aliás, as ciclovias começam e terminam, assim: de repente. E ninguém respeita. A arborização urbana está decrépita, com o sol inclemente, todos procuram a calçada sombreada pelos edifícios.  A poluição visual, sonora, das águas e do ar, é tremenda. Os espaços públicos são pessimamente mantidos, com os jardins deteriorados. Quando o sol está presente, o calor é sempre forte, quando não insuportável. Quando chove inunda. Quando chove muito inunda e desliza: gente perde o que ganhou, quando não fica doente ou morre. As tragédias são cada vez maiores e mais frequentes.

E a cidade continua crescendo de qualquer maneira, sem respeitar os processos naturais, os fragmentos de ecossistemas que restaram (quase nada!), as áreas alagáveis (que acomodam as águas nessa frágil paisagem “maravilhosa”), encostas são desmatadas e queimadas. O foco é em crescimento, espalhamento urbano: mais solo impermeável, mais esgoto nos rios, lagoas e mar.

Mas, o que faz tanta gente morar assim? É só por dinheiro e trabalho? Acho que é, mas tem uma coisa que nos une aqui nesse espaço urbano: cultura e rede de relações (o social). Por isso, moramos juntos e passamos por esse perrengue todos os dias.

Dá pra ser diferente? Asseguro que dá!! Vi isso em cidades de vários tamanhos, e não precisa mais dinheiro do que é gasto na gestão dessa cidade, é preciso vontade política. É preciso pensar nas pessoas e ao longo do tempo. Os moradores precisam saber que de ser melhor, muitíssimo melhor. Eu vi isso acontecendo em muitos lugares. Quero dividir isso com você. Vou ver se consigo ir escrevendo sobre minhas experiências pessoais e pesquisas que tenho feito.

Acho que juntos podemos fazer uma cidade melhor. Se quiser contribuir, vai ser ótimo. Gosto de pensar em equipe. Acredito que juntos podemos pensar a Ecologia, Cidade e Cultura de outra forma, dentro do paradigma ecológico.

9 respostas para Cidades

  1. Maurício Abreu de Toledo disse:

    Excelente iniciativa! Vou divulgar o blog. Um beijo. Maurício Toledo

  2. clarissa wanderley pires ferreira disse:

    Gostaria de saber se existe alguma iniciativa deste tipo aquí em SP?

    • Cecilia Herzog disse:

      Que tipo de iniciativa, Clarissa? Esse blog, apesar de eu morar no Rio, sou paulista e procuro olhar para várias cidades, não apenas para o Rio, mesmo ele sendo o meu foco principal. mas as considerações feitas, servem para muitos lugares. Acho que temos problemas e oportunidades comuns, que necessitam as devidas adequações locais.

      abcs,
      Cecilia

  3. Constance Jacob disse:

    Sou bióloga, arquiteta e em fase de conclusão de Doutorado em Arquitetura eUrbanismo (12/2013) no Mackenzie. Sou orientando da Prof. Gilda Bruna. Comprei seu livro : Cidade para todos, essa semana, esforcei descobrir esse blog. Pena que me parece, vc esta sem tempo pra atualizá-lo.
    Atualmente ocupo o cargo de Secretaria de Planejamento Urbano da Prefeitura de Teresina, cidade com um pouco menos de 1 milhão de habitantes, mas quejandos sofre as consequências do planejamento urbano voltado para o transporte individual.
    A intenção dessa gestão é iniciar um processo de conscientização da população para uma cidade mais humana, adensada, priorizando o transporte coletivo, o caminhar e o usode bicicletas.
    Bom poder contar com suas idéias.
    Abraço
    Constance

    • Cecilia Herzog disse:

      Oi Constance,

      Que bom que você que a sua você e sua cidade (prefeitura) estão em busca de caminhos melhores para o futuro da cidade.

      O blog é atualizado conforme consigo tempo. Você os artigos sobre as cidades (na aba CIDADES) e o sobre a profissionalização do paisagismo no Brasil? São mais recentes.

      Na verdade estou envolvida em diferentes projetos de pesquisa que me tomam bastante tempo. Procuro ir escrevendo, mas nem sempre consigo dividir o que vou desenvolvendo e aprendendo em tempo real.

      Estou à sua disposição para contribuir no que for possível.

      Boa sorte.

      Abraços ecológicos,

      Cecilia

    • Cecilia Herzog disse:

      Ah! Constance,
      tem o facebook do livro

      Confere: https://www.facebook.com/CidadesParaTodos

      Abcs,
      CEcilia

    • Cecilia Herzog disse:

      Constance, tem post novo em atualidades e reflexões. Abcs.

  4. Lucas Araujo disse:

    Sobre o projeto de parque em aeroporto desativado em Berlim.
    Acabei de voltar de um ano de estudos no Reino Unido, não tive a oportunidade de ir a Berlim, mas fiquei maravilhado com a vontade com que as essoas utilizam o espaço público na Europa. A sociedade é ativa e a comunidade trabalha sempre pensando no conforto e comodidade do próximo. Coisa que sinto falta aqui no Brasil. Os espaços públicos, talvez pela má qualidade oferecida, são subutilizados e não têm a “força” dos de lá.
    Outra coisa que me chamou atenção no parque Tempelhof é que os moradores locais se apropriaram do espaço, que ja estava destinado a empreiteiras, e foram atendidos: espaço virou público. Hoje, aqui no Brasil eu acompanho pelo facebook a pagina que compartilha o drama do grupo que ocupa, defende e pede a desapropriação da area do Parque Augusta em São Paulo. O último espaço verde no centro da cidade usado como parque pela comunidade local, agora com ocupação de resistência, e mesmo assim a batalha contra as duas empreiteiras financiadoras de campanhas políticas que foram “premiadas” com aqueles terrenos continuam com posse e enviando suas máquinas para brutalmente trocar o verde por mais duas torres de concreto. Ou seja, aqui, nem quando a comunidade ocupa e defende, o verde tem vez. Lamentável.
    Admiro seu trabalho Cecília, e essa página é incrível.

    • Cecilia Herzog disse:

      Oi Lucas, que bom que você partilha de ideias para cidades ecológicas com foco nas pessoas. Li que o Parque Augusta saiu do papel. São Paulo parece estar trilhando um caminho melhor, com participação de moradores, organizações, universidades e grupos que atuam na cidade. Vai ter audiência pública sobre verde urbano no dia 5 de maio. Vou ver se divulgo aqui ou no facebook.
      Forte abraço,
      cecilia

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