Resumo de livros e outras publicações

Relatório Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Disponível no link abaixo:

sumário-relatório-vulnerabilidades RMRJ

==========================

Cradle-to-Cradle-  Remaking the way we make things.

(Do berço ao berço – refazendo o jeito que fazemos as coisas)

MacDonough e Braungart, 2002

O livro Cradle-to-Cradle defende que se deve adotar um novo meio de produção e consumo baseados na ecoeficácia: geração de resíduos, emissões e pegada ecológica = ZERO. Deve ser seguido o exemplo da natureza que produz tudo o que precisa e transforma tudo o que foi descartado sem gerar resíduos tóxicos nocivos ao ambiente, sem contaminar o ar, as águas e o solo. Ao contrário: purifica, aduba, enriquece, protege.

Tudo deve ser pensado e projetado de uma nova maneira, com o fim do ciclo de vida do produto calculado para que, o que for descartado seja totalmente reaproveitado. Para isso, deve se separar os produtos em dói tipos: naturais (biológicos) e tecnológicos (sintetizados artificiais). Não podem ser misturados sem que seja possível separá-los em seu reaproveitamento. Quando são misturados em um produto que não poderá ser separado em seu final de vida é chamado de “monstro híbrido”, pois não poderá ser reaproveitado.

Propõe que em vez de produzir um eletrodoméstico, ex. uma TV, o aparelho deveria ser fabricado com o foco em sua reciclagem. Os elementos tecnológicos (sintéticos) e os biológicos (naturais) separados para que pudessem ser totalmente reaproveitados. O aparelho poderia ser alugado, e quando o cliente quisesse trocar por um mais avançado, pagaria pela diferença tecnológica, sem contar o material para produzir a TV. Seria como pagar pelo serviço prestado pelo equipamento, não pelo hardware em si, que não acabaria em um aterro sanitário. Os recursos utilizados seriam reaproveitados infinitamente sem perda de qualidade.

Coloca enfaticamente que o que está se busca hoje, a ecoeficiência, é fruto de um acordo entre grandes empresas que se prepararam como estratégia para enfrentar a degradação ambiental acelerada.  Os recursos naturais estão sendo dilapidados e a contaminação do ar, água e solos estão ocorrendo sistematicamente, lentamente e ininterruptamente. Dessa forma é pior do que se fosse um impacto rápido e mais localizado, mais fácil de ser recuperado. O que ocorre atualmente é mais impactante e irreversível do que se continuasse como estava.

O PIB é uma medida de riqueza que não contempla fatores ambientais, riscos e custos humanos e ambientais que utiliza e que pode acarretar: esgotamento de recursos, perda de biodiversidade, poluição generalizada, insalubridade, entre outros. Nem os custos que acarreta no longo prazo com doenças em pessoas e impactos nas outras espécies, rios, oceanos, solo para citar apenas alguns.

As cidades deveriam ser feitas imitando a natureza, respeitando os fluxos naturais, “como uma floresta”. As edificações deveriam ser como as árvores, gerar frutos, alimentos, coletar e tratar os seus próprios rejeitos, coletar as águas das chuvas, aproveitar a energia solar e dos ventos e gerar sua própria energia e excedentes, propiciar conforto ambiental através de ventilação, tetos verdes, correta orientação solar entre outros. A diversidade deve ser implantada em todos os projetos, com uso de materiais e flora nativa local. Ter conhecimento do que ocorre na paisagem para poder projetar adequadamente em sintonia com os processos locais.

A globalização das paisagens, com os projetos arquitetônicos e paisagístico-urbanísticos similares em todos os lugares do planeta, transforma as cidades em locais sem identidade, elimina a biodiversidade e a cultura locais. A importação de modelos, com a intensiva e extensiva mineralização das paisagens (asfalto, cimento, concreto, construções e pavimentações de todo tipo) alteram os fluxos naturais. Isso causa impactos severos como enchentes, deslizamentos, poluição generalizada das águas, ar e solos.

Coloca que não é adequado chamar de serviços ambientais ou ecossistêmicos o que a natureza oferece para o planeta. Não presta serviços para a humanidade e sim faz parte do sistema ser assim. Como deveriam ser as interferências humanas no planeta, integradas ao todo planetário. Enfatiza que a pessoas fazem parte do todo e assim devem se situar. A mudança de paradigma é inevitável se queremos ter um futuro na Terra.

A responsabilidade é de hoje para com os futuros habitantes de nosso planeta. Não se pode resolver hoje o que as futuras gerações irão querer, deve-se deixar a escolha para ser feita por eles.

Cecilia Herzog, 13.02.2010

postado em 03.01.2011

McDONOUGH, William; BRAUNGART, Michael. Cradle to Cradle – Remaking the way we make things. North Point Press, New York, 2002.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s